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Lukamba “Gato” acusa regime de tentar falsificar a história da paz em Angola

O antigo secretário-geral da UNITA, Lukamba Paulo “Gato”, criticou o que considera ser uma tentativa do regime angolano de “reescrever a história” e de associar injustamente o seu partido à instabilidade no país. Em declaração pública, o dirigente recordou que a paz em Angola teve um elevado custo para a UNITA e rejeitou qualquer narrativa que aponte o partido como ameaça à estabilidade.

 “Fala-se muito dos pseudo benefícios resultantes do fim do conflito armado, mas pouco se diz sobre o preço que alguns tiveram de pagar para que a paz fosse possível. A verdade é clara: a UNITA pagou um preço excessivamente elevado”, afirmou.

Segundo Lukamba Paulo, a UNITA não surgiu como um “capricho” de Jonas Savimbi, mas no contexto da luta de libertação nacional, desempenhando um papel decisivo ao levar a guerra de independência para o interior do país. O antigo responsável lembrou que, no auge, o movimento chegou a ter mais de cem mil homens armados, funcionando como um “Estado paralelo” que desafiava o partido único em Luanda.

Ao abordar o processo de desmobilização, Lukamba destacou as medidas tomadas pela UNITA após o fim do conflito, entre elas o desarmamento total, a desmobilização de mais de 150 mil efectivos e a “desmilitarização das consciências”, o que, segundo disse, garantiu a ausência de qualquer regresso à luta armada nos últimos 23 anos.

“Quem ousa questionar a boa-fé da UNITA no processo de paz mente deliberadamente ao povo angolano”, frisou, acusando o governo do MPLA de usar a narrativa da instabilidade como “manobra de diversão” para encobrir problemas como desemprego, pobreza, falência dos serviços públicos e corrupção.

O antigo secretário-geral da UNITA sublinhou ainda que “a paz não foi obra exclusiva do governo, foi um sacrifício colectivo em que a UNITA deu mais do que recebeu”.

Lukamba rejeitou qualquer possibilidade de retorno à guerra em Angola, salientando que, ao contrário do passado, apenas as instituições do Estado têm hoje condições de beligerar. Para si, a associação da UNITA ao “novo conceito de terrorismo” seria uma “construção artificial” para manter o medo como instrumento de poder.

“Angola não precisa de falsificadores da história, precisa de líderes capazes de transformar o calar das armas em paz social, justiça, democracia e desenvolvimento”, concluiu.

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