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Os 12 Anos de Comunicação Institucional em Angola – Ernesto Samaria

A 29 de Dezembro de 2015, Angola deu um passo significativo na modernização da sua comunicação pública com a promulgação do Decreto Presidencial n.º 230/15, que instituiu os Gabinetes de Comunicação Institucional e Imprensa (GCII) nos diversos órgãos da Administração Pública.

Esta medida visava profissionalizar e padronizar a comunicação governamental, reconhecendo o papel estratégico que a informação e a imagem desempenham na relação entre o Estado e os cidadãos, bem como na projecção do país a nível internacional.

À medida que nos aproximamos da marca dos 12 anos de existência dos GCII, torna-se imperativo reflectir sobre o percurso trilhado, os desafios enfrentados e as perspectivas que se abrem para o futuro da comunicação institucional em Angola.

Os GCII foram criados com o intuito de transformar a forma como as instituições públicas se comunicam, passando de uma postura reativa para uma abordagem mais estratégica e proactiva. Contudo, como em qualquer processo de consolidação, a sua implementação não esteve isenta de obstáculos.

Este artigo propõe-se analisar os principais desafios que têm marcado a trajectória dos GCII, bem como delinear oportunidades e perspectivas para que estas estruturas possam, efectivamente, cumprir o seu desígnio de serem pilares de uma comunicação pública robusta, transparente e eficaz, contribuindo para a construção de uma Angola mais informada e conectada.

Os desafios e perspectivas podem ser agrupados em algumas categorias principais:

1. Luta Contra a Cultura de Reatividade e Visão de Curto Prazo

Um dos maiores obstáculos tem sido a dificuldade em transitar de uma cultura de comunicação reativa para uma abordagem estratégica e proactiva. Historicamente, a comunicação governamental em Angola esteve muitas vezes associada à resposta a eventos ou crises, sem um planeamento a longo prazo que visasse a construção consistente da imagem e da narrativa do Estado.

Os GCII, embora criados para alterar este paradigma, ainda enfrentam a pressão de operar dentro de ciclos políticos curtos, o que dificulta a implementação de estratégias de comunicação que transcendam os mandatos governamentais e que se foquem na construção de uma estratégia duradoura.

2. Recursos Limitados e Necessidade de Capacitação Contínua

Apesar da importância reconhecida da comunicação, muitos GCII operam com recursos humanos e financeiros limitados. A escassez de profissionais qualificados e a falta de investimento em formação contínua constituem entraves significativos.

A área da comunicação está em constante evolução, impulsionada pelas novas tecnologias e pela dinâmica das redes sociais.

Os profissionais dos GCII necessitam de estar actualizados com as últimas tendências, ferramentas e técnicas de comunicação digital, gestão de crises, análise de dados e produção de conteúdo multimédia.

3. Adaptação à Era Digital e Combate à Desinformação

A revolução digital trouxe consigo novas oportunidades, mas também desafios complexos. A proliferação de plataformas digitais e redes sociais exige que os GCII desenvolvam estratégias de comunicação online robustas, que permitam não só disseminar informações, mas também interagir com os públicos, monitorar a percepção e gerir a reputação em tempo real.

4. Coordenação e Harmonização de Mensagens

Embora o Decreto Presidencial 230/15 tenha estabelecido a criação dos GCII, a coordenação e a harmonização das mensagens entre os diferentes gabinetes e órgãos do Estado ainda constituem um desafio.

A falta de uma plataforma centralizada ou de mecanismos eficazes de articulação pode conduzir a mensagens inconsistentes, à duplicação de esforços e a uma percepção fragmentada por parte do público.

Perspectivas para o Futuro dos GCII

Apesar dos desafios, os 12 anos de existência dos GCII em Angola representam uma base sólida para o futuro da comunicação institucional no país. As perspectivas são promissoras, desde que sejam adoptadas medidas estratégicas para fortalecer estas estruturas e capacitá-las para os desafios vindouros:

1. Consolidação de uma Comunicação Estratégica e de Longo Prazo

É fundamental que os GCII se libertem da dependência dos ciclos políticos e adoptem uma visão de comunicação estratégica de longo prazo.

Isso implica o desenvolvimento de planos de comunicação alinhados com os objectivos nacionais, promovendo a identidade angolana, a sua cultura e o seu potencial económico e turístico de forma contínua e consistente.

2. Investimento Contínuo em Capacitação e Tecnologia

O futuro dos GCII passa necessariamente pelo investimento massivo na capacitação dos seus profissionais e na adopção de tecnologias de ponta.

Programas de formação contínua, focados em comunicação digital, análise de dados, gestão de crises e produção de conteúdo multimédia, são cruciais para dotar os comunicadores das ferramentas necessárias para actuar no ambiente mediático actual.

Além disso, a implementação de plataformas tecnológicas avançadas para a gestão de conteúdos, monitorização de media e análise de redes sociais permitirá aos GCII optimizar as suas operações e maximizar o impacto das suas acções.

3. Fortalecimento da Coordenação e da Colaboração Interinstitucional

A criação de mecanismos eficazes de coordenação e colaboração entre os diferentes GCII e órgãos do Estado é vital para garantir a harmonização das mensagens e a construção de uma narrativa unificada sobre Angola.

A partilha de boas práticas, a criação de directrizes comuns e o desenvolvimento de plataformas colaborativas podem contribuir para um esforço de comunicação mais coeso e impactante.

O MINTTICS, como órgão de tutela, tem um papel central na liderança e articulação deste processo, promovendo a sinergia entre os diversos gabinetes.

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