Ah, o Carnaval! Essa magnífica celebração da alegria, da cultura e do estômago vazio. Num país onde a fome ainda é uma coreografia bem ensaiada no quotidiano de muitos, nada mais prudente do que gastar energia a desfilar sob o sol escaldante, de barriga vazia, ao som de músicas que prometem um futuro melhor – mas apenas se for no próximo desfile.
Segundo a Revista XAA, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros registou
vários casos de desmaios durante as festividades, provocados pela falta de
alimentação. Mas não há motivo para alarme! O governo, sempre atento, sugere
uma solução inovadora: água e frutas. Que visão estratégica! Nada como uma
rodela de laranja para sustentar um dia inteiro de desfile. A banana torna-se o
prato principal e, quem sabe, um gole de água substitua um almoço completo. É a
gastronomia carnavalesca da resistência!
É realmente inspirador ver a paixão do povo, entregando-se à festa com a energia de quem não tem mais nada a perder – literalmente. Os desmaios? Ora, fazem parte do espectáculo! O próprio corpo entra na dança e rende-se ao samba da hipoglicemia. Para quê comida, quando se pode ter adrenalina?
E o investimento na cultura, esse pilar sagrado da sociedade? Ah, que
maravilha! Um espectáculo que recebe financiamento suficiente para garantir um
desfile de cores e ritmos, mas nunca o suficiente para que os artistas possam
viver exclusivamente da sua arte. Afinal, viver do Carnaval é para quem tem estômago…
cheio.
Enquanto isso, do outro lado da avenida, as autoridades e os patrocinadores
assistem confortavelmente ao espectáculo, brindando com bebidas finas e
proferindo discursos inflamados sobre a importância da cultura. Afinal, nada
diz mais "nós valorizamos a nossa gente" do que um desfile onde os
participantes desmaiam por inanição.
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