No encontro, serão exploradas soluções para este problema, com a participação das associações dos (moto) taxistas, da Polícia Nacional e do sector privado. O objectivo consiste em formalizar um mecanismo que reduza os custos de mobilidade dos professores, nomeadamente criando incentivos sociais para os parceiros que contribuam para este fim.
A Direcção Municipal de Educação do Cuito, em parceria com o Projecto Unidos pela Educação (uma parceria firmada entre o Ministério da Educação, a Fundação Ulwazi e o Centro de Estudos Ufolo para a Boa Governação), realiza, hoje, segunda-feira, o primeiro Encontro sobre Mobilidade de Professores e Alunos.
O objectivo central deste encontro é procurar soluções
logísticas e educativas para as crianças das comunidades longínquas, de difícil
acesso e exclusivamente dependentes da agricultura de subsistência, propondo-se
um regime híbrido de aulas à distância e presenciais.
Nas áreas rurais do Cuito, há crianças que têm de caminhar diariamente dezenas de quilómetros até à escola. Os casos mais extremos estão identificados na Escola Primária n.º 9 Luciano Salúcio, na localidade de Kaniñili, comuna da Chicala, com estudantes que vivem a 17, 19 e 20 quilómetros de distância (nas aldeias de Chiqueleto, Samandele e Aldeia Nguaiu, respectivamente). Na Escola Primária n.º 122 Chilemo, na localidade de Cambinga, também na comuna de Chicala, recebe alunos das aldeias de Ombala Muhengo, de Delém e de Dumba Calunjololo, que se situam a 21, 25 e 26 quilómetros.
Devido à fadiga física, as longas distâncias percorridas a pé
pelas crianças tendem a afectar a sua capacidade cognitiva e de concentração
nas aulas, prejudicando significativamente as aprendizagens e o crescimento.
Segundo a Direcção Municipal de Educação, essas distâncias também têm causado
taxas elevadas de absentismo e de abandono escolar.
No encontro, será debatida a nova iniciativa denominada
“Amigos da Educação”, que visa reduzir as taxas de abandono escolar, de
absentismo e de mau aproveitamento escolar, para que as crianças não percam a
esperança de saber ler e escrever. Será também discutido o trabalho de
sensibilização (advocacy) que é preciso
fazer junto de várias comunidades, para garantir que estas valorizem o ensino e
o definam como prioridade na vida das crianças.
No encontro, serão exploradas soluções para este problema,
com a participação das associações dos (moto) taxistas, da Polícia Nacional e
do sector privado. O objectivo consiste em formalizar um mecanismo que reduza
os custos de mobilidade dos professores, nomeadamente criando incentivos
sociais para os parceiros que contribuam para este fim. Serão ainda discutidas
formas de incentivar e reconhecer o mérito de todos os cidadãos que contribuam,
de forma engajada, para melhorar o processo de ensino no Cuito.
Cerca de 10% do total da população do Bié, estimada em 1,8
milhões de habitantes, são alunos do ensino primário e do primeiro ciclo no
município do Cuito, a capital provincial. Angola – e a província do Bié em
particular – vive uma explosão demográfica que coloca desafios de governação
difíceis. Neste contexto de aumento populacional e de predomínio das camadas
mais jovens, só é possível garantir o desenvolvimento humano, o bem comum e o
acesso a um futuro condigno se houver acesso universal à educação e se a
qualidade da educação for melhorada.
0 Comentários