O MPLA é hoje visto como principal problema de Angola. A responsabilidade é apontada pela oposição e por muitos cidadãos. No seu programa de sábado, na Rádio Essencial, Graça Campos disse essencialmente o seguinte: “O Presidente João Lourenço deve prosseguir a heróica tarefa de destruir o MPLA. É um serviço patriótico. Se o MPLA é o problema e não a solução, destruir o partido é um serviço à Pátria. João Lourenço deve continuar.”
Palavras curtas. Claras. Sem tergiversações. Sem paninhos quentes.
O jurista João Assis Gonçalves Neto perguntou no Facebook: “JLO é mesmo do MPLA?” E respondeu a si próprio: “Só pode ser um kwatcha travestido de militante do MPLA. Analisem as suas acções e chegarão à mesma conclusão.” Cada cabeça o seu juízo. Cada cabeça a sua sentença. Deus sabe de todos. Cada um sabe de si.
O alerta de Graça Campos é realista. A pergunta de João Assis Gonçalves Neto é legítima. A sua resposta reflecte o pensamento de muitos militantes do MPLA e de muitos cidadãos. Nem todo o País está contra João Lourenço. Isto é verdade.
Nem todos no MPLA conspiram contra ele. Também é verdade. Mas é verdade que há
quem conte espingardas silenciosamente. Isto é um facto.
Das duas, uma: Ou João Lourenço é distraído, ou tem sido muito bem
embarrigado. São poucos os militantes que conhecem o MPLA como ele. Entrou para
a guerrilha protagonizada pelo MPLA em 1974. Foi artilheiro em Cabinda. O
General Pedro Sebastião propôs-lhe para o cargo de Comissário Político. A
partir daí, entrou para Direcção Política das FAPLA e, nos anos 90, na sede do
MPLA.
Subscrevo o que disse Graça Campos: João Lourenço está a destruir o MPLA. Há
quem ainda não tenha percebido.
Alertei para isso há pouco mais de 24 meses. O Grupo Parlamentar do MPLA (GPM) deu de ombros. Assobiou para o lado. Era liderado por Virgílio de Fontes Pereira. Perdeu a oportunidade de fazer História e de ser aclamado pelo País.
A verdade é esta: João Lourenço materializa um pedido de Bill Clinton a José
Eduardo dos Santos, em 1994. Clinton pediu ajuda para acabar com os partidos da
independência. José Eduardo recusou. João Lourenço aceitou. Está a fazê-lo com
zelo excessivo. Nos tempos do “MPLA sozinho” seria taxado de lacaio. Acusado de
ser pago por dólares americanos para tal empresa.
A destruição do MPLA corre a bom ritmo. A África do Sul não conseguiu
destruir o MPLA. A Administração Reagan tentou. Falhou. O Partido Socialista
(PS) português tentou. Cansou-se.
Rendeu-se. O MPLA é um osso duro. Sabe driblar quedas. Ninguém o atira para o
“tatame”. A oposição, com a UNITA à frente, faz o jogo do MPLA. Ajuda-o a
perpetuar-se no poder.
Indirecta e (in)conscientemente.
É como se existisse um pacto entre eles.
Se o MPLA é o problema de Angola, que se dê a bigorna e o martelo a João
Lourenço. A História vai reservar-lhe um lugar por isso. Que parta o partido ao
meio. Deixem-no partir. Deixem-no cumprir o seu dever patriótico. E não se fala
mais no assunto. Ou melhor: Vai falar-se- de caos depois. O poder político
corre o risco de cair na rua. Permitam-me ser taxativo e categórico: Não há,
até ao momento, partido preparado para dirigir Angola. Os que existem debaixo
do sol político angolano estão todos impreparados. Sem excepção.
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