A jornalista angolana Hariana Salete Domingos da Silva Verás Victória, até recentemente acreditada junto da Casa Branca, viu o seu acesso suspenso por alegadas violações à s normas de transparência de vÃnculos institucionais e imparcialidade editorial. A decisão das autoridades norte-americanas surge após investigações que apontam que Hariana estaria a actuar em nome dos interesses do Governo de Angola, contrariando os princÃpios éticos exigidos aos correspondentes internacionais.
Hariana Verás obteve o prestigiado “Hard Pass” em Março de 2021, uma
credencial que permite acesso ilimitado às instalações da Casa Branca,
incluindo a sala de imprensa e áreas reservadas a jornalistas acreditados.
Antes disso, passou por três anos de avaliação por parte do gabinete de
imprensa da presidência norte-americana e pelos Serviços Secretos dos EUA,
tendo o seu trabalho como correspondente sido acompanhado desde 2018.
Com essa acreditação, Hariana tornou-se a única jornalista africana com
acesso directo à Casa Branca, ao Senado e ao Pentágono. No entanto, nos últimos
meses, o seu comportamento começou a levantar suspeitas entre as autoridades
norte-americanas.
Durante conferências de imprensa, Hariana foi observada a formular perguntas que induziam os presidentes norte-americanos a elogiar o Governo angolano, nomeadamente o Presidente João Lourenço. A situação culminou a 28 de Junho de 2025, durante uma cerimónia na Sala Oval em que o Presidente Donald Trump mediava um pré-acordo entre representantes da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda — um processo que teve João Lourenço como mediador regional.
Na ocasião, Hariana fez um briefing sobre o papel de Lourenço como presidente
em exercÃcio da União Africana, e questionou Trump sobre a possibilidade de
convidá-lo para a assinatura do acordo de paz. Trump respondeu afirmativamente:
“Vamos trazê-lo aqui… Eu sei que ele trabalhou muito e é o lÃder da União Africana.
Eu adoraria tê-lo aqui.”
A resposta foi posteriormente amplamente divulgada pela media estatal angolana, sendo usada como instrumento de propaganda polÃtica. Este padrão repetido levou as autoridades norte-americanas a reavaliar o papel da jornalista, concluindo que Hariana não estava a informar o público de forma independente, mas sim a recolher declarações favoráveis para fins polÃticos.
As investigações revelaram ainda que, dias antes do evento na Casa Branca,
Hariana teria viajado à RDC para entrevistar o Presidente Étienne Tshisekedi,
utilizando um avião privado disponibilizado pelo Governo de Angola — facto que
reforçou as suspeitas de vÃnculo institucional não declarado.
Segundo os regulamentos da Casa Branca, jornalistas acreditados devem:
Actuar com independência editorial; Declarar qualquer relação institucional que
possa comprometer a imparcialidade; Abster-se de representar interesses de
governos estrangeiros;
A violação destas normas levou à revogação do acesso de Hariana à Sala Oval e à suspensão da sua acreditação como correspondente.
A situação provocou também repercussões internas na Televisão Pública de Angola (TPA), órgão ao qual Hariana está vinculada. Fontes indicam que a direcção da TPA pretende rever o contrato da jornalista, com vista à redução de despesas. Enquanto outros correspondentes da estação recebem cerca de 500 euros mensais, Hariana era a única cujo custo mensal ultrapassava os 18 mil dólares, justificados como despesas de estúdio e produção nos Estados Unidos.
Recentemente, Hariana regressou a Luanda em tentativa de negociar a manutenção
do vÃnculo laboral e evitar cortes que, segundo fontes internas, são cada vez
mais prováveis.
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