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Trump e a sua injustiça contra África - João Paulo Candeeiro

O segundo mandato do Presidente Donald Trump tem mostrado um lado pouco amigável em relação ao nosso continente. As recentes decisões comerciais e migratórias dos Estados Unidos são uma prova clara de que África continua a ser vista como um problema e não como um parceiro com quem se pode cooperar.

Comecemos pelo comércio. Os EUA impuseram tarifas pesadas sobre produtos africanos e países como a África do Sul, Argélia e Líbia enfrentam taxas de 30%. Já Angola, Nigéria, Gana, Camarões, Chade, Uganda e Côte d’Ivoire chegam a pagar 15%, enquanto o resto do continente paga 10%. Isto significa que as economias com o maior potencial de crescimento e exportação são as mais penalizadas. Ao invés de estimular parcerias e abrir espaço para o desenvolvimento industrial africano, Washington sob liderança de Trump prefere dificultar o acesso dos nossos produtos ao seu mercado, por sinal ainda o maior do mundo.

No campo dos vistos, a situação não é melhor. Alguns países africanos estão totalmente banidos de obter vistos para os EUA, tais como como o Chade, o Sudão, Líbia, a Eritreia, a República do Congo, a Somália e a Guiné Equatorial. Já outros, como o Burundi, o Togo e a Serra Leoa, têm restrições consideráveis, alguns dirão mesmo severas demais para estes. Já as nações de peso considerável como a Nigéria, o Gana, a Etiópia e e Camarões só podem ter vistos de entrada única e por um período de apenas 90 dias. O resto do continente tem múltiplas entradas por um período de dois anos. Isto mostra uma política discriminatória de Washington, que divide África em categorias arbitrárias, sem respeito pela importância e pelo contributo dos nossos países para a economia americana e mesmo mundial.

Mas África de hoje não é a de ontem, temos mais de 1,3 mil milhões de habitantes, a maioria deste são jovens, criativos e empreendedores. Somos um mercado em expansão e um continente estratégico, não só pelos recursos naturais, mas também pelo seu cada vez maior papel diplomático que desempenhamos na busca da paz e da integração regional. Ignorar isto é um erro que prejudica tanto África como os próprios EUA. Como africano, acredito que a relação entre Estados Unidos e África deviam se basear no respeito mútuo e no benefício recíproco. África so Século XXI, não é um continente que vive de ajudas. África exige justiça, dignidade e reconhecimento do seu valor. A China já percebeu isso, a Rússia já percebeu isso, até a União Europeia já percebeu isso. Se Trump continuar a derrubar pontes e erguer muros contra África, abrirá ainda mais espaço para outros parceiros que olham para África com mais respeito e vontade de cooperação.

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