Quando olhamos atentamente à História da Humanidade somos capazes de constatar que a Europa foi um Continente Imperial que se expandiu pelo mundo, colonizou os povos e difundiu a sua Civilização. Lembremo-nos dos grandes Impérios de Macedônia, Império Romano, Império Otomano, Império Austro-Húngaros, Império Carolíngio e Império Britânico.
Quanto ao Império Britânico (1583-1997) no seu auge, de acordo com dados históricos, foi o maior Império da História humana. Vejamos, por mais de um século, este Império foi a principal potência do Mundo. Em 1920 o Império Britânico dominava cerca de 458 milhões de habitantes, um quarto da população do mundo na época. O Império abrangeu mais de 35.500.000 km2, quase 24% da área do Planeta Terra.
Durante a sua vigência de 414 anos o Império Britânico difundiu a sua civilização em termos da cultura, da língua, de costumes, de hábitos e de valores sociopolíticos. Hoje, a língua inglesa é a mais falada no mundo, é a primeira língua universal, é a língua mais usada nas organizações internacionais e é a base do léxico da ciência informática.
O Império Britânico era composto por domínios, colónias, protetorados, mandatos e territórios governados ou administrados pelo Reino Unido. Ainda que deixou de existir, mas ele continua a exercer a sua influência no mundo através da Common Wealth, uma Comunidade de Nações que congrega (no ponto de vista linguístico, económico e cultural) os países que pertenciam ao Império Britânico e outros países do mundo que decidiram livremente juntar-se a esta grande Comunidade de Nações.
Os Países que ingressaram na Common Wealth, que não foram Colónias do Reino Unido, são: Gabão, Moçambique, Ruanda e Togo. Angola manifestava o interesse de juntar-se a esta Comunidade de Nações, um desejo que ficou por materializar. Actualmente, a Common Wealth conta com 56 países membros, de entre os quais: África do Sul, Austrália, Botswana, Canada, Índia, Jamaica, Nigéria, Paquistão, Singapura, Tanzânia, Zâmbia, etc.
A minha curiosidade acerca da Europa reside no facto de que, o Continente
Europeu entrou em decadência apesar de ter sido o epicentro da Civilização
Universal através da expansão marítima, do tráfico negreiro, do colonialismo,
do cristianismo, da revolução comercial, do mercantilismo e da revolução
industrial, esta última, teve o início em 1760 e terminou em 1840.
Concretamente, a Revolução Industrial teve o seu início no Reino Unido e
expandiu-se pela Europa e pelos Estados Unidos da américa.
Paradoxalmente, a Europa Imperial, que dominou o Mundo, hoje tornou-se um Continente Satélite, que gravita em torno dos Estados Unidos da América, está sob a ameaça forte da Rússia e cuja economia está a ficar dependente do mercado asiático. O mais dramático é o facto de que, a Europa está a perder os seus vínculos socioculturais com as suas antigas colónias em África e na América Latina, que estão sendo transformadas em Neocolónias e em alvos geopolíticos das superpotências mundiais.
O mais grave ainda é que, a Europa ficou sem virtudes, sem iniciativas, sem
inovação, sem defesa, sem segurança, sem ciências e sem tecnologias. Os valores
socioculturais da Europa, que são as matrizes da civilização ocidental, da
democracia plural e do capitalismo liberal, estão em plena decadência. No seu
lugar está a nascer o novo imperialismo financeiro multinacional, de carácter
oligárquico, monopolista, mercantilista e unilateralista. No meio desta transformação
socioeconómica e tecnológica, a Europa está decadente, em decomposição
acelerada, sem capacidade nenhuma de concorrência no mercado internacional.
Acima disso, a Europa está a rastejar-se atrás de outras potências industrializadas, muitas das quais foram as suas antigas colónias, tais como: EUA, Índia, Brasil, África do Sul e Canada. A Europa está à deriva, sem rumo e sem uma visão geopolítica. Neste momento a Europa está a tremer diante a Rússia, o Estado Eslavo, que almejava sempre colonizar a Europa.
A minha pergunta é a seguinte: o que esteja a acontecer com a Europa e com a sua Elite intelectual? É isso que me cria curiosidade! Sendo um africano, apesar de toda tragédia (escravidão e colonialismo) que a Europa infligiu ao Continente Africano, mas a verdade é uma: a Europa é a nossa vizinha, com que convivemos e nos enfrentamos violentamente em torno do Mar Mediterrâneo, no Deserto do Sahara, no Cinturão do Sahel, ao longo do Rio Nilo, ao longo dos Oceanos Índico e Atlântico e no Interior do Continente. Essas odisseias e epopeias estão bem registados com letras de ouro na História da Humanidade.
Aliás, nós os Africanos (Mouros), na Idade Média (711 d.C. – 1492 d.C.) colonizamos a Europa e difundimos a nossa Civilização na Península Ibérica através da miscigenação, da cultura, da religião, da arquitetura, da ciência, da língua e dos costumes, que ainda continuam presentes em toda a Europa.
A dominação da Europa terá consequências desastrosas ao Continente Africano, sobretudo ao Sul de Sahara. Muita gente não deverá estar de acordo comigo, mas o que estou a dizer corresponde a verdade. Pois que, além do «equilíbrio geopolítico» que a Europa representa no Mundo, a Cultura Africana confunde-se com a Cultura Europeia. Pois, há muitos «elementos sociológicos» que são comuns entre os povos europeus e os povos africanos.
Direi desde já que, os povos africanos e povos europeus misturam o sangue
durante milênios de interação entre si, de convivência e de conflitos
sangrentos. Nenhuma das outras superpotências mundiais será capaz de preencher
está «estrutura social» e a inter-relação milenar – de povos irmãos, e ao mesmo
tempo, de povos antagônicos. A Europa está diante um grande desafio de
existência, conforme dizia o filósofo Francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) que,
cita:
«A existência identifica-se com a liberdade, graças à qual cada um conquista a
sua essência, que sucede a existência, que é o factor primário da vida, que
assenta na liberdade». Fim de citação.
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