A FLEC/FAC, força independentista de Cabinda, anunciou hoje que cinco civis foram mortos e quatro outros ficaram feridos, supostamente por soldados angolanos, em Yema-di Yanga, na fronteira entre a República Democrática do Congo e o enclave angolano.
Num comunicado de imprensa enviado hoje à Lusa, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda - Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC) denuncia os “sistemáticos ataques indiscriminados contra a população civil de Cabinda por parte do exército angolano”.
“Durante décadas, o Estado angolano tem desrespeitado incessantemente os
direitos humanos fundamentais, assim como o direito internacional,
relativamente à população de Cabinda”, salienta-se na nota. De acordo com a
FLEC/FAC, o “Presidente angolano, João Lourenço, criou um sistema de opressão e
repressão sistemático contra o povo de Cabinda”.
“Estas violações dos direitos humanos configuram uma nova variante de
apartheid, prática proibida pelo direito internacional. A FLEC/FAC condena o
apoio da França a um regime tirânico liderado por João Lourenço, que está a
aterrorizar a população inocente de Cabinda”, sublinha-se no documento,
assinado por André Binda Zau, chefe da brigada de Maiombe Sul.
Para a FLEC/FAC, “o regime angolano segue uma política segregacionista,
colonialista e imperialista, cujas consequências desumanas podem ser ilustradas
por inúmeros factos”, considerando ainda que o chefe de Estado angolano “à
cabeça da União Africana constitui um perigo para a África e para a paz no
continente”.
“O Presidente angolano, João Lourenço, não é um democrata, nem um homem de
paz, mas um belicista.
João Lourenço, Presidente de Angola, país que ocupa militarmente Cabinda,
nunca foi a favor de uma solução pacífica para o conflito entre a República de
Angola e Cabinda”, acrescenta a nota. Recentemente, João Lourenço, em
entrevista à revista Jeune Afrique, disse que a situação de segurança na
província petrolífera de Cabinda é estável e que a FLEC/FAC não representa
qualquer ameaça para o território angolano.
A FLEC/FAC reivindica há vários anos a independência do território de
Cabinda, província de onde próvém grande parte do petróleo angolano, evocando o
Tratado de Simulambuco, de 1885, que designa aquela parcela territorial como
protetorado português.
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