O regresso de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos tem gerado apreensão em diversas partes do mundo, incluindo a África. As suas políticas nacionalistas somadas a uma abordagem muitas vezes imprevisível em relação ao continente africano, levantam questões sobre o real impacto das reformas americanas nas economias africanas. Mas, afinal, por que a África continua tão dependente da América e da Europa?
A África é um continente vasto e incrivelmente rico em recursos naturais. Os minerais essenciais para a indústria tecnológica global — como o coltan, o cobalto, diamante e o lítio — são extraídos em grande parte do solo africano. Além disso, a mão de obra qualificada e talentos africanos são constantemente recrutados por empresas e universidades Americanas e Europeias, contribuindo para o desenvolvimento do Ocidente enquanto os países Africanos continuam a lutar com desafios estruturais.
Se a África possui tantos recursos estratégicos, por que não consegue desenvolver- se sem depender dos Estados Unidos e da Europa? Durante décadas, os modelos de desenvolvimento africanos foram pautados por estruturas neocoloniais que perpetuam a dependência externa. Instituições financeiras internacionais impõem regras que favorecem os interesses das grandes potências, enquanto as elites africanas muitas vezes reforçam essa dependência ao invés de promover políticas que incentivem a autossuficiência.
Todos os recursos são transformados fora. Vergonha. O que falta para transformarmos aqui no nosso continente? Produtos agrícolas vêm de fora da África. Não temos terras propícias ou é o nosso orgulho e desleixo?
A questão central que devemos nos colocar é por que não utilizamos nossa própria riqueza para construir e desenvolver a África? Por que continuamos a exportar recursos brutos para serem transformados em tecnologia no exterior, em vez de investir na industrialização local? Por que insistimos em importar especialistas de fora, enquanto tantos quadros altamente capacitados do próprio continente são subutilizados ou obrigados a buscar oportunidades no estrangeiro?
Investir em educação de qualidade, infraestrutura tecnológica e indústrias locais são passos fundamentais para garantir que a riqueza africana beneficie, antes de tudo, os próprios africanos.
As reformas políticas nos Estados Unidos podem ter impacto na África, mas
não devem determinar o destino do continente. É preciso abandonar a
mentalidade de dependência e assumir uma postura ativa na construção de um
futuro autônomo e próspero. A América tem instituições fortes, tecnologia e
inovação. A África tem recursos naturais, capital humano e potencial. O que
falta é transformar essa riqueza em desenvolvimento sustentável para os
próprios africanos.
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