“A história é o testemunho dos tempos, a luz da verdade e a mestra da vida” – Cícero. De per si, a independência de Angola embora conduzida num contexto de enormes crispações e hostilizações entre os nossos maiores ideólogos e pais fundadores do país que somos hoje, ela é entrementes, o nosso maior orgulho, o momento mais alto da nossa história e por isso a celebramos sempre, pondo de parte as circunstâncias e toda sua envolvente. Todos ractificamos e temos o 11 de Novembro como a data natalícia do território que faz o nosso país e do seu belíssimo nome.
Assim sendo, para o reencontro com a nossa história, para a elevação mais nobre dos actores que muito fizeram para que a independência fosse possível e para o enaltecer dos melhores filhos deste país, faz sentido uma reescrição do nosso passado, uma reforma mental dos que da história nada descreveram,senão a estória da sua visão de um passado que não é seu e nem nosso, espalhando inverdades e anulando a possibilidade do real encontro com a nossa memória colectiva. Desta feita, só a aceitação dos factos e nada mais que factos, nos levarão a melhor comemoração dos 50 anos da independência de Angola.
Com todos, por todos e para todos. Isto pressupõe não excluirmos o
triunvirato, para de forma errada e desonesta, continuarmos a fazer de Angola o
único país do mundo fundado por um indivíduo “por um pai da nação”, este último
considerado o cultor daquilo que somos enquanto país, um erro crasso e um
anacronismo desmedido.
A nossa história entrelaça-se à história e vida de Holden Roberto,
Agostinho Neto e Jonas Savimbi, quem de forma contrária a entende, está fadado
ao fracasso moral e a inteligência que não é inteligente, cria uma encruzilhada
com a ignorância.
Outrossim, qualquer que seja a organização política que confirma e
publicita um figurino comemorativo no qual o triunvirato è desfeito, e Holden
Roberto è visto como instrumento do imperialismo americano ou até mesmo
canibal, em que Jonas Savimbi é-lhe atribuído adjectivos que o transformam numa
das piores espécies que já passaram por este planeta e que beija o nosso
solo,deve ser vigorosamente deslegitimada, dissolvida e enterrada das nossas
memórias, para a nossa sanidade mental.
Deve ainda ser condenado moral e politicamente, embora tal juízo pertença
única e exclusivamente a Deus, mas como interlocutores e partícipes por
excelência da acção política e do desenrolar da nossa história, temos o direito
de o fazer.
Portanto, ao nosso passado estamos todos condenados a regressar e buscar a
sabedoria que nos iluminará e fará de nós o povo reencontrado consigo mesmo,
permitindo que se abra um marco na definição de horizontes e na reafirmação da
reconciliação nacional, com o diferencial de nos unir de facto e verdade,tornando-nos
povos ávidos de aceitar a diferença, de elevarmos a nossa consciência
colectiva, submersa no sentimento de que só nós podemos edificar a Angola que
Holden, Neto e Savimbi idealizaram e por ela lutaram, com o sentimento de
fazerem deste país um lugar melhor,onde seus filhos e netos encontrassem a paz
e a liberdade para sonharem e se realizarem. Não cometamos o erro de matarmos a
nossa história, de insistirmos na exclusão,em alimentarmos o ódio e adiarmos a
reconciliação nacional que apenas atende a agenda política e nunca o interesse
nacional.
Vamos acender o farol que proporcionará a visão de todos, para que veem
Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi como os artífices, os patronos,
os filhos desta Angola que por ela morreram e perderam juventude, deixando de
desfrutar o prazer da vida e mais, por ela doaram cada minuto do ar que
respiravam.
Haja vontade de fazer Angola!
Haja vontade de nos reconciliarmos com a nossa história!
Haja vontade de nos deixarmos iluminar pela nossa história e alcançarmos a
mestria que os tempos que vivemos nos permitem alcançar!
Sejamos verdadeiros patriotas e deixemos apenas o que nos elevará diante
das gerações vindouras!
Façamos pelos nossos filhos e pelos filhos dos nossos filhos (como cantou
Michael Jackson).
Honremos a memória de Holden, Neto e Savimbi, para que o futuro seja
promissor e a maldição se afaste do nosso viver!
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