Os homens do "Homem" estão de parabéns! Desmantelaram uma importante rede de malfeitores que se dedicava ao roubo dos dinheiros dos contribuintes. Actuavam como uma autêntica gangue, sem medir consequências; o que realmente lhes interessava era o lucro fácil, que lhes garantisse a vida luxuosa que ostentavam.
Com os seus actos, prejudicaram o Estado angolano em largos milhões de
dólares e, movidos pela ganância, afundaram várias empresas, lançando inúmeros
trabalhadores no desemprego. As denúncias nunca faltaram!
Oxalá o pessoal da secreta continue a trabalhar para ir ao fundo da questão
e investigar possíveis ramificações noutros sectores da função pública. Não
devem parar na AGT – avancem até ao posto de comando: o Ministério das
Finanças. Geralmente, a grande corrupção não anda isolada. É uma vasta teia
onde todos comem e se protegem.
É necessário que se faça um verdadeiro pente-fino em várias instituições
públicas. Há demasiada coisa escondida e muita gente que se
aproveita/aproveitou dos cargos para arrecadar milhões de dólares. Este cenário
é uma autêntica vergonha para a ministra das Finanças, Dalva, pois foi ela quem
indicou os administradores que não tiveram a capacidade de evitar a
roubalheira. Em contrapartida, representa uma vitória para o ministro do
Interior, Homem, pelo facto de os seus homens terem detectado esta enorme
falcatrua.
Roubar as contribuições dos cidadãos é um atentado à segurança nacional.
Este é um crime que deveria ser punido com prisão perpétua – já que a pena de
morte foi abolida. Em diversos países asiáticos, como a China, o Vietname e o
Irão, aplica-se a pena de morte para casos graves de corrupção. Mesmo nos
Estados Unidos, em Singapura, na Indonésia e na Arábia Saudita, as penas podem
chegar à prisão perpétua. Se Angola seguisse o exemplo desses países e
endurecesse as penas para crimes de corrupção e desvio de dinheiro público,
isso poderia ter um efeito dissuasor.
Por isso, apelo aos nossos deputados para que avancem sem demora com uma
proposta patriótica que iniba os ladrões do erário público. Sugiro que quem
prejudicar o Estado em mais de duzentos mil dólares ou o equivalente em Kwanzas
seja condenado à prisão perpétua. Além disso, quem roubar mais de cinquenta mil
dólares deveria ser condenado a vinte e oito anos de prisão – e assim
sucessivamente. Se agirmos desta forma, num abrir e fechar de olhos,
conseguiremos disciplinar os nossos gestores públicos. Caso contrário, a
história será sempre a mesma: roubar o máximo possível; se não for a tempo de
fugir para o estrangeiro, contrata os advogados mais caros e, como os bons
advogados sabem argumentar, mais cedo ou mais tarde o gatuno passa a ser a
vítima e, ao fim de pouco tempo, sai em liberdade.
E depois? Com o dinheiro que roubou, vive longe dos holofotes políticos.
Viaja para o estrangeiro, onde tem guardado o “kumbu”, e desfruta de uma vida
confortável com a sua família, como se nada tivesse acontecido. Enquanto isso,
o povo, que dizia defender, continua a chupar o dedo.
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