Os sindicatos angolanos preparam uma nova fase da greve na Função Pública que deve a 3 de Junho e deve durar mais tempo. Os sindicalistas dizem que as suas exigências não são ouvidas pelo Governo.
O secretário-geral do SINPROF, Admar Jinguma, disse que o
Executivo não voltou a chamar as centrais sindicais para juntos encontrarem
soluções que permitam um entendimento sobre os pontos constantes do caderno
reivindicativo.
Ademar Jinguma assegura que, há sensivelmente dois meses que eles não têm contacto com o governo, e avança que o último encontro foi feito no dia 03 de Abril, antes da materialização da segunda fase da greve geral. O responsável sindical afirma que depois de ouvidas as propostas feitas nesta quinta-feira, serão feitas análises dos pontos e só assim serão feitas novas rondas de negociação.
Admar Jinguma reitera que, neste momento, os trabalhadores
estão a ser mobilizados para a terceira fase da greve, prevista para ocorrer
entre 03 e 14 de Junho, o que pode ser ou não despoletada dependendo do diálogo
e desfecho favorável entre as centrais sindicais e o governo.
Governo acusado de ignorar reivindicações
O silêncio do Executivo sobre as reivindicações dos
funcionários públicos é o que motiva a Central Geral de Sindicatos
Independentes e Livres de Angola (CGSILA), a União Nacional dos Trabalhadores
Angolanos - Confederação Sindical (UNTA-CS) e a Força Sindical - Central
Sindical (FS-CS) a continuar o protesto.
João Marques, professor do ensino secundário, apoia esta
luta. Lamenta que a situação socioeconómica das famÃlias angolanas piore dia
após dia. Ainda este mês, o Banco Nacional de Angola reviu em alta a inflação
para este ano, para os 23,4%.
As centrais sindicais apresentaram ao Presidente angolano,
João Lourenço, em setembro passado, um caderno reivindicativo, a exigir o
aumento do salário mÃnimo nacional, dos atuais 32.000 kwanzas (cerca de 35
euros) para 245.000 kwanzas (cerca de 268 euros).
A proposta foi, entretanto, "flexibilizada" para
100.000 kwanzas (cerca de 109 euros), com um reajuste do salário da Função
Pública na ordem de 250%, além da redução em 10% do Imposto sobre o Rendimento
do Trabalho (IRT).
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