Comandante provincial-adjunto para a Gestão de Protecção Civil deu a conhecer que 2.056 famílias estão desalojadas devido à inundação das suas residências
Dez mil pessoas foram afectadas pelas chuvas que cairam no final da noite de segunda-feira, durante a madrugada e todo dia de terça-feira, na província de Luanda.
Os dados foram divulgados, ontem à noite, na sede do
Governo da Província de Luanda (GPL), pelo sub-comissário e comandante
provincial-adjunto para a Gestão de Protecção Civil, Bravo Pereira Mendes,
durante a leitura de um comunicado de imprensa sobre os danos causados pela
chuva na capital do país.
"Foram 12 horas de chuva entre moderada e
intensa, que afectou praticamente todo o território da província de Luanda”,
disse aos jornalistas.
Segundo o sub-comissário, 2.056 famílias ficaram
desalojadas devido à inundação das suas residências.
Bravo Mendes revelou à imprensa que o município de
Viana foi o mais afectado pela chuva, seguido pelo Kilamba Kiaxi e Talatona,
acrescentando que 92 vias ficaram obstruídas, intransitáveis e alagadas com a
água que dificultou o trânsito.
O sub-comissário e comandante provincial adjunto para
a Gestão de Protecção Civil explicou que a chuva atingiu, também, equipamentos
sociais, infra-estruturas públicas e privadas, igrejas, hospitais, Esquadras de
Polícia e escolas.
De acordo com o sub-comissário Bravo Mendes, os
números apresentados são preliminares e estão a ser actualizados pelo Centro de
Coordenação Operacional da Comissão Provincial de Protecção Civil, coordenada
pelo governador de Luanda, Manuel Homem.
Estrada nº 100
A ligação pela estrada nº 100, entre Luanda e o Sul do
país, está garantida, revelou, ontem, o vice-governador para a Área Técnica e
Infra-Estrutura, durante a comunicação à imprensa na sede do GPL, para o ponto
de situação sobre a chuva na capital do país.
Cristino Mário Ndeitunga deu a conhecer que a garantia
foi dada pelo ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos
Alberto dos Santos, que visitou o referido troço nacional para avaliar o
surgimento de ravinas, bem como a Centralidade do KK5000, para constatar os
danos causados pelas chuvas na província de Luanda.
O vice-governador de Luanda anunciou que o governador
Manuel Homem reúne-se, hoje, com os membros do Comité Operativo da Comissão
Provincial de Protecção Civil.
Em relação às famílias afectadas pela chuva, Cristino
Mário Deitunga disse que a Comissão de Protecção Civil da Província de Luanda
está a trabalhar para prestar assistência às vítimas.
Grupo técnico
Um grupo técnico constituído por membros do Governo
Provincial de Luanda (GPL) e do Ministério das Obras Públicas, Urbanismo e
Habitação (MINOPUH) inspeccionou, segunda-feira, as obras em curso em ruas do
Distrito Urbano da Samba e no município do Cazenga, no âmbito do melhoramento
das vias secundárias e terciárias da capital do país.
De acordo com uma nota de imprensa do GPL, a equipa,
coordenada pelo vice-governador Cristino Mário Ndeitunga, percorreu,
demoradamente, as ruas do Sun Set, Silêncio e Augusta, no Distrito Urbano da
Samba, com o intuito de avaliar o andamento e execução das empreitadas.
Casas inundadas, ruas intransitáveis e deslizamento de terras é o cenário registado, ontem, na sequência das fortes chuvas que se abatem sobre a província de Luanda.
Os municípios de Viana, Belas, Cacuaco, Talatona,
Kilamba Kiaxi e Cazenga têm as zonas mais críticas.
As últimas quedas pluviométricas começaram na
madrugada de ontem e duraram quase toda a manhã e tarde, deixando um rasto de
destruição e falta de meios de transportes públicos, segundo constatou a equipa
de reportagem do Jornal de Angola.
No Distrito Urbano do Sambizanga, por exemplo, além de
casas inundadas, os moradores tinham dificuldades de se deslocar, porque as
ruas estavam alagadas.
Em declarações ao Jornal de Angola, Edgar Domingos,
morador da rua do Betão do Zaire, disse que sempre que chove o cenário é desolador.
"Sempre que chove vivemos períodos difíceis e
enfrentamos inúmeras dificuldades. A título de exemplo, não fomos trabalhar,
porque temos que retirar a água que entrou em nossas casas”, explicou,
visivelmente aborrecido.
Edmilson Vunge, outro morador, corroborou as
declarações de Edgar Domingos, acrescentando que "somos obrigados a ficar
em casa para evitar males maiores nas nossas residências. Se a gente se
ausentar, a coisa pode vir a ser pior”.
No município do Talatona a dificuldade, ontem, era a
quantidade de água nas ruas, cenário visível, também, no Distrito Urbano 11 de
Novembro, bem como na rotunda da Fubu.
Rangel com ruas
intransitáveis
As ruas secundárias e terciárias do Distrito Urbano do
Rangel, como as das Comissões, Alentejo, Precol, do Povo, Terra Nova e a via
que dá acesso à Escola Ngola Mbandi estavam, ontem, inundadas, dificultando a
circulação rodoviária.
Devido à falta de valas de drenagem e esgotos, a água
da chuva fez com que muitas casas ficassem inundadas, tendo-se registado o
desabamento de outras tantas.
Alguns moradores, agastados com a situação, retiravam
a água que entrava em suas residências, atirando-a para a rua, onde crianças
brincavam, sem noção do perigo dos charcos causados pelas últimas chuvas, que
provocaram, também, muita lama e tornaram o piso escorregadio.
Circulação difícil no Cazenga
A equipa de reportagem do Jornal de Angola constatou,
no município do Cazenga, logo à entrada do Mercado dos Kwanzas, a existência de
um charco de água, que dificultava o trânsito e a circulação de peões.
Lixo nas faixas de rodagem, famílias a tirarem água
das suas residências e munícipes a circularem com dificuldades era o cenário
mais visível, ontem, no Cazenga.
Nas imediações do Mercado dos Kwanzas, ao lado de um
Centro Médico, a entrada da rua estava toda alagada e os moradores tinham
muitas dificuldades para circular.
Uma das moradoras disse, que a água da chuva cria
muitos constrangimento ao trânsito e à circulação da população, provocando, por
outro lado, o surgimento de muitos insectos.
"Anteriormente, tínhamos uma electrobomba, mas
está estragada, e a água pode ficar parada aqui durante meses”, explicou.
Na 6º Avenida (IFA), na rua da Quiçanga, encontramos
um lago, onde os habitantes estavam a retirar a água com uma electrobomba,
atirando-a para a via principal.
Paulo Manuel, morador, explicou que os charcos de água
são provocados devido ao baixo nível da estrada. "A Administração deveria
colocar uma ponte ou uma vala de drenagem, para a passagem das águas”.
Neste momento, continuo, estamos impedidos de sair
para cumprir as nossas tarefas laborais, porque, para diminuir a água parada,
precisamos de, pelo menos, dois a três dias, mesmo com a electrobomba.
Via do Ramiro corre o risco de ficar intransitável
Parte da faixa de rodagem da via Benfica/Sumbe, na
Estrada Nacional número 100, corre o risco de ficar intransitável, devido ao
acumular da água da chuva, impedida de circular por inoperância da vala de
drenagem.
O responsável de obras da empresa Omatapalo, Rui
Adriano, explicou que está a ser feito um trabalho paliativo para que a
circulação rodoviária não seja interrompida.
"Estamos a tentar fazer passar a água no túnel
que dá descarga para o mar, senão vai procurar caminho e derrubar as paredes
que protegem a estrada. A água deve passar do outro lado da ponte. O trabalho
que está a ser feito é provisório, para que os automobilistas possam transitar
em segurança”, sublinhou.
Ernesto Mucombe, morador, contou à nossa reportagem
que quando eram 9h00 deu conta que a via estava a ceder. "Quando notei o
que estava a acontecer chamei os vizinhos para me ajudarem a fazer a
sinalização, para que os veículos pesados não passassem por essa faixa de rodagem,
para não provocar muitos danos”.
O administrador distrital do Ramiro, Alberto Lumete,
explicou que o constrangimento é devido à construção de um muro perto da vala
de drenagem. "Durante estes dias de chuva, o lixo arrastado pela água
provocou o impedimento da passagem das águas na vala de drenagem, fazendo com
que ficasse acumulada num único lugar”.
Alberto Lumete disse que as últimas chuvas provocaram
três mortes no distrito que lidera e as ruas secundárias e terciárias estão
intransitáveis. "Estamos a registar as ocorrências para apresentarmos ao
município, para que se possa dar solução aos problemas”, referiu.
Falta de transportes públicos
A falta de transportes públicos tem sido um problema
quase sempre que chove. Ontem, por exemplo, os poucos taxistas que saíram às
ruas optaram por "linhas curtas”, criando inúmeras dificuldades aos que
precisavam de se deslocar de um ponto para o outro.
Armindo Canda, Miguel Brás e Sandra da Silva
Desabamento de moradia
Ndalatando regista a morte de cinco membros de uma família
Cinco membros de uma família, pai e quatro filhas,
morreram na madrugada de terça-feira, em Ndalatando, província do Cuanza-Norte,
devido ao desabamento de uma moradia, provocado pelas fortes chuvas que se
abateram sobre a região, desde às 17 horas de segunda-feira, segundo o
porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
O subinspector bombeiro Hélder Milagre explicou,
ontem, que a moradia havia sido construída com adobes no bairro da Comarca e
desabou porque o alicerce ficou fragilizado devido à força da água da chuva.
Segundo Helder Milagre, presume-se que, durante a hora
do infortúnio, as vítimas se encontravam a dormir.
Devido à complexidade da zona do sinistro, agravada
com a água da chuva, explicou, só foi possível remover os corpos das vítimas às
11h30 de ontem. O Governo no Cuanza-Norte lamenta o infortúnio e garante apoio
às famílias para a realização dos funerais.
Nos últimos trinta dias, além das vítimas mortais, as
chuvas danificaram várias infra-estruturas e estradas, segundo o porta-voz do
Serviço de Protecção Civil e Bombeiros no Cuanza-Norte, entrevistado pela Rádio
Nacional, que aconselha a população no sentido de redobrar os cuidados.
Outras áreas afectadas
Além de Luanda, Cuanza-Norte e Lunda-Sul, choveu,
também, no Zaire, tendo-se registado cenário semelhante: famílias desalojadas,
casas inundadas e vias alagadas.
No município do Kuimba, província do Zaire, a
administradora municipal, Isabel Fineza Queba, confirmou, à Rádio Nacional, a
destruição de uma ponte na via da Serra da Canda.
As primeiras ajudas para acudir as famílias no Loge
Pequeno já chegaram ao local, segundo o director do Gabinete de Comunicação
Social, Agnelo Alberto.
De referir que o Serviço de Protecção Civil e
Bombeiros continua a recolher dados dos danos causados pelas chuvas que se
registam um pouco por todo o país.
O porta-voz do Serviço Nacional de Protecção Civil e
Bombeiros, Félix Domingos, disse, ontem, que os prejuízos causados pela chuva
são enormes em todo o território nacional.
Félix Domingos aconselha as famílias a redobram os
cuidados, principalmente, quando estiver a chover, e a evitar construir em
zonas de risco.
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