O Secretário-Geral das Nações Unidas,
António Guterres, pediu, segunda-feira, aos Governos para introduzirem nos
currículos escolares as causas, manifestações e consequências do comércio
transatlântico de escravos, argumentando que a educação é a arma mais poderosa
contra o racismo.
Num evento na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unias (ONU) para
marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico
Transatlântico de Escravos, assinalado no sábado passado, Guterres recordou a
história de "crueldade e barbárie" e "de injustiça
colossal" que devastou o continente africano, "impedindo o seu
desenvolvimento por séculos".
"O empreendimento maligno da escravatura durou mais de 400 anos. Foi a
maior migração forçada sancionada legalmente na história da Humanidade. Milhões
de crianças, mulheres e homens africanos foram sequestrados e traficados
através do Atlântico, arrancados das suas famílias e terras natais, as suas
comunidades dilaceradas, os seus corpos mercantilizados, a sua humanidade
negada", relembrou o líder da ONU.
De acordo com o Secretário-Geral das Nações Unidas, a longa sombra da
escravidão ainda paira sobre a vida dos afrodescendentes que carregam consigo o
trauma transgeracional e que continuam a enfrentar a marginalização, a exclusão
e o fanatismo, algo que é visível no "ódio da supremacia branca que
ressurge hoje".
Nesse sentido, e com foco no poder da educação, Guterres pediu aos Governos
de todo o mundo que introduzam conteúdos sobre a escravatura nos currículos
escolares, colocando ao dispor dos Estados-membros o programa Relembrar a
Escravidão das Nações Unidas e o projecto Rota do Escravo da UNESCO, para
ajudar nessa tarefa.
"Devemos aprender e ensinar a terrível história da escravatura.
Devemos aprender e ensinar a história de África e da diáspora africana, cujo
povo enriqueceu as sociedades por onde passou e se destacou em todos os campos
da actividade humana. E devemos aprender e ensinar as histórias de resistência
e resiliência", frisou.

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