Os engenheiros sapadores da Unidade Especial de Desminagem (UED) manifestaram-se contra a integração no Centro Nacional de Desminagem (CND), alegando que a medida está a ser imposta sem o cumprimento dos requisitos legais e institucionais previamente estabelecidos.
Num documento remetido às autoridades, os efetivos da UED afirmam que a
transferência não pode avançar enquanto não forem regularizadas diversas
questões pendentes relacionadas com a sua situação laboral e institucional.
Segundo os engenheiros, a principal divergência reside no facto de o CND
ser uma instituição de natureza civil, afeta ao quadro 2 do Ministério da
Defesa, enquanto a UED é composta maioritariamente por militares reformados das
extintas FALA, antigos desmobilizados no âmbito do Memorando de Entendimento de
Paz, e também ex-militares das Forças Armadas Angolanas (FAA).
Os sapadores recordam que, em 2022, um decreto presidencial determinou a
fusão de todas as operadoras de desminagem num único centro de comando,
incluindo a Brigada de Desminagem do Exército, a UED, a Polícia de Guarda
Fronteiriça e outras entidades. Contudo, segundo os engenheiros, a maioria
destas estruturas não aceitou a integração, mas oficiais da Casa Militar
continuam a insistir que a UED seja incorporada no CND de forma coerciva.
A UED sublinha ainda que, ao longo de mais de 20 anos de atividade, tem
trabalhado em prol de uma Angola livre de minas e outros engenhos explosivos,
mas acusa a Casa Militar de não cumprir promessas feitas aos efetivos. Entre as
irregularidades apontadas, está o alegado desvio de fundos destinados à UED,
citando como exemplo o caso do Major Pedro Lussaty, em cuja posse foram
encontradas somas avultadas que, segundo os engenheiros, teriam origem em
recursos da unidade.
Os sapadores recordam também a visita, em 2021, do então Ministro de Estado
e Chefe da Casa Militar da Presidência ao comando da UED, durante a qual foram
constatadas as dificuldades enfrentadas pelos efetivos. Na altura, foi
prometida a reposição da legalidade e chegaram a ser realizados controlos pela
Procuradoria-Geral da República e um cadastramento biométrico pela Direção
Principal do Pessoal e Quadro do Ministério da Defesa. No entanto, os
engenheiros afirmam que a situação apenas se agravou desde então.
Entre os problemas apontados estão cortes salariais que afetam parte dos
efetivos há mais de sete meses, a falta de abastecimento logístico há nove
meses e o impedimento de acesso a cuidados médicos e medicamentos nos hospitais
da Casa Militar.
“Esses e outros motivos levam-nos a rejeitar a integração no CND, enquanto
não forem regularizados os passivos existentes”, concluem os engenheiros
sapadores da UED.
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