O julgamento dos generais Manuel Hélder Vieira Dias Júnior "Kopelipa" e Leopoldino Fragoso do Nascimento "Dino", dois antigos homens de confiança de José Eduardo do Santos (JES), continua a decorrer no Tribunal Supremo (TS), à porta fechada", por estar na fase de produção de provas, mas o TS já avisou as partes, ou seja, o Ministério Público (MP) e os advogados, que não vai chamar àquela instância, para prestar declarações em juízo, o ex-vice-Presidente da República, Manuel Vicente, apurou o Novo Jornal.
A posição do tribunal deixou incrédulos os advogados e os arguidos, mas a juíza Anabela Valente já informou as partes, em sede do julgamento, que o Supremo não vai chamar a esta corte suprema o cidadão Manuel Vicente, ex-vice-Presidente da República e também ex-PCA da Sonangol.
Manuel Vicente não aparece no processo como arguido nem como declarante, mas é o mais citado em toda a acusação e até mesmo apontado pelos dois generais arguidos como o responsável pelos pagamentos à empresa China international Fund (CIF).
Os dois principais arguidos deste processo negam as acusações do Ministério Público e "atiram a bola" para Manuel Vicente.
"Kopelipa" disse que Manuel Vicente foi designado pelo então
Presidente da República, José Eduardo dos Santos, como coordenador da Comissão
de Cooperação entre Angola e a China Internacional Fund Hong Kong e que o
antigo vice-Presidente angolano chefiou a delegação que participou no processo
de negociação com os chineses da CIF, ocorrida na China em 2004, e que
apresentou a José Eduardo dos Santos o programa de investimento que os
investidores se predispunham a realizar no território nacional.
O general "Dino" disse em tribunal que foi Manuel Vicente que o
convidou para participar na reestruturação da CIF, empresa que terá ficado com
os imóveis do Estado de que os arguidos se apropriaram indevidamente, segundo o
Ministério Público.
Para esta fase mais importante de um julgamento justo, segundo alguns
especialistas em direito, o tribunal deveria solicitar a audição do então patrão
da Sonangol, via online, uma vez que não está a residir em Angola.
Ao Novo Jornal, os advogados do processo disseram, antes da produção de
provas, que solicitaram nos autos a audição do então "chefe maior" da
Sonangol, Manuel Vicente.
Fontes do Novo Jornal asseguram que a juíza Anabela Valente indeferiu essa
exigência, argumentando serem suficientes as declarações de Manuel Vicente
feitas em fase de instrução contraditória.
Nos próximos dias, apurou o Novo Jornal, o tribunal irá ler as declarações
do então "patrão" da Sonangol e vice-Presidente da República, sobre
os factos em julgamento.
Conforme a acusação, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior e Leopoldino Fragoso
do Nascimento, assim como Manuel Vicente, ter-se-ão apropriado, só na
urbanização Vida Pacifica, de 22 edifícios do Estado, mas venderam estes
edifícios ao Estado, que financiou a construção desta urbanização.
A acusação diz ainda que as empresas chinesas international Fund, Plansmart
International Limited e Utter Right International Limited nunca financiaram
nenhum projecto em Angola e que, dissimuladamente, o dinheiro que supostamente
era do investimento, pertencia ao Estado, que pagava a essas empresas via
Sonangol, através de falsos empréstimos.
Entretanto, para além de "Kopelipa" ser o arguido principal
suspeito de planear este esquema fraudulento, o nome que mais aparece citado é
o de Manuel Vicente.
A acusação conta que Manuel Vicente pagou vários milhões USD às várias
construtoras chinesas em nome do GNR, mas essas empresas apareciam como sendo
os financiadores dos projectos habitacional em Angola.
O MP assegura que Manuel Vicente e "Kopelipa" terão repartido o
projecto Zango 0 em dois projectos, um do Estado e outro privado, mas o Estado
é que financiou os dois.
Durante a leitura da acusação, feita no dia 10 de Março, o MP assegurou que
os arguidos se apropriaram, através das empresas chinesas, de vários milhões de
dólares, mediante financiamento da Sonangol.
Conforme a acusação, "Kopelipa", Manuel Vicente e "Dino"
aproveitaram-se das suas posições no aparelho do Estado e enganaram o então
Presidente da República José Eduardo dos Santos com falsos investidores e
financiamentos.
O julgamento continua a decorrer no Supremo e o tribunal está a interrogar
o cidadão chinês Chen Peng, representante local das Plansmart International
Limited e Utter Right International Limited.
Nos próximos dias, o julgamento entra na fase das audições dos
declarantes.
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