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O que podemos aprender com o universo, sobre a convivência pacífica entre pessoas? - Augusto António Salomão

 Aqueles que têm o nível de consciência elevada, chamam a NATUREZA ou o UNIVERSO, “O TODO”, ou seja, a plenitude do amor indescritível de Deus, o Criador. Aliás, a natureza ou o universo é o princípio de todas as coisas antes que o homem existisse. Ainda que não passe pela nossa percepção, a natureza-universo é tão inteligente que ensina o homem como deve governar e auto- governar-se, sem ambiguidades nem lutas e nem ambição.

A chave de ouro que as pessoas devem saber é que existem dois mundos, o físico ou material e o espiritual ou metafísico. No mundo material, a natureza nos ensina o seguinte: “Tudo é energia e nada se destroi, mas sim, se transforma, passando de um estado físico para outro. Assim sendo, o ciclo da vida de todas as coisas não termina com a morte. Mas sim, obedece um ciclo padrão estabelecido por Deus o TODO”. A palavra morte surge como metáfora para a mente compreender o contrário da vida. Com base a esta tese, trazemos aqui, dois princípios simples, os mais básicos, que toda pessoa humana deve saber, conhecer e ensinar à cada nova geração desde a tenra idade.

Primeiro princípio: Para o bem dos humanos, a natureza oferece o ciclo de sucessão pacífica dos processos. Por exemplo, as estações do ano obedecem a ordem estabelecida no universo, e cada uma sucede a outra sem briga nem luta. A primavera precede o verão, este precede o outono e por último e não menos importante, surge o inverno. Segundo princípio: para o benefício dos humanos a natureza oferece o ciclo da água, que é um processo vital que ocorre numa harmonia perfeita da evaporação, da condensação que dá lugar a formação das nunvés, estas se precipitam em forma de chuva e depois formam cursos de água que correm para as partes baixas nos rios, lagos e oceanos e a outra parte se infiltra no solo para formar os aquíferos.

Quer o primeiro quer o segundo princípios, se processam sem briga, porque simplesmente obedecem as leis do Universo, “DEUS-O TODO”. Estes ciclos se harmonizam entre si numa perfeita sincronia de gratidão. O Universo é rico, próspero e abundante, porque é grato em tudo e reconhece o contributo de todos que formam o seu conjunto.

Igualmente, o ciclo da vida humana segue o mesmo padrão; tudo é energia e ela não se destroi, mas se transforma para o outro estado energético. O homem nasce com três corpos, um físico e dois metafísicos que é a alma e o espírito. Quando o corpo físico deixa de existir, este se transforma em energia, e os dois corpos continuam no estágio metafísico “transcendente”. Eles não deixam de existir, independentemente do que tenham feito de bom ou de mau enquanto extiveram no corpo físico.

Importância e necessidade de uma reconciliação verdadeira e genuína

Depois desta humilde análise, a minha total alegria que se junta a de toda gente de bem, é que, se o Universo é inteligente, o homem é muito mais, por ser a imagem e semelhança do Criador, a quem por mandato divino lhe foi outorgado a autoridade de governar, cocriar e transformar as coisas para o seu benefício e bem-estar.
Nenhum homem ou mulher vem ao mundo sem missão e propósito; certamente, cada um à sua dimensão, uns mais e outros menos, ainda que seja só para bater palmas. Uma reconciliação verdadeira e genuína cura as cicatrizes dos que vivem e pacifica o espírito e a alma dos que partiram para a eternidade. Logo, a reconciliação verdadeira e genuína passa pelo reconhecimento humilde, simples e natural de todos os filhos da Pátria, sem a máscara nos olhos, para enxergar o que cada um fez, mas sim, saber olhar para o bem colectivo que cada um prestou, se pela Pátria, é um nacionalista; se pelo continente, é pan-africanista; e se pelo mundo, é universalista.

O ciclo de 50 anos é muito importante na transformação das consciências do homem, povos ou nações. Angola, ao completar 50 anos da sua independência duramente conquistada do sistema colonial, tem a sublime oportunidade de reconhecer cada sofrimento, suor, lâgrima, sangue e vidas derramadas, com o sentido de missão e propósito dos proeminentes da luta de libertação nacional sem ambiguidade, nem briga de exclusividade. É precisamente por causa deste pressuposto da ingratidão e não reconhecimento dos valores espirituais, políticos e intelectuais dos nossos ancestrais que os países africanos caiem na desgraça, e Angola não é excepção desta desgraça. Nisto é mais gravosa a desvalorização dos pais espirituais, razão bastante para que Angola não se desenvolve, porque não tem autorização nem permissão espiritual do Universo para prosperar, antes vive um fluxo de caoticidade extrema na administração, na gestão de serviços públicos, na desordem, na indisciplina, nos roubos e desvios financeiros, na precariedade dos sistemas de saúde e educação. Tudo isto, é inerência dos princípios imutáveis do universo acima enumerados, porque quando cumprimos com os princípios, Deus cumpra as Suas promessas.

Estamos certos de que ainda há ciência e sabedoria para averiguar esta beneficência, a começar pela casa das leis, passando pela estrutura governativa, até ao titular do poder executivo. O contrário, fechar-se-ia em definitivo as portas para a prosperidade e abrir-se-iam as portas para uma hecatombe sem precedentes, lembrando que o Universo é inteligente, e é ele que faz a contabilidade destes fenómenos entre débitos e créditos para estabelecer o equilibrio das coisas.

Há quem possa perguntar: porquê da expressão hecatombe? Se colonizar é dominar outrem, então, a ausência de uma consciência política de amor, coesão e partilha, dá lugar à consciência subtil de uma colonização intrínseca “invisível”, porque a extrínseca “visível”, já se foi. Acreditamos que não é isso que se pretende com a exclusão dos nossos heróis. Sejamos só irmãos da mesma linda pátria que Deus nos deu.

Embora tardiamente, só agora, mas a consciência de bem-fazer da nação angolana no quesito de uma reconciliação verdadeira e genuína, irá honrar estes patriarcas, e não só reconhecer os actores políticos da luta de libertação de armas na mão, mas principalmente, ir mais à profundidade de perscrutar a história, olhando para a missão e propósito divino dos pais espirituais. Pois, muitas vezes, a missão e propósito destes suplanta a luta material, conduzida por homens de armas na mão, porque estes cumprem propósitos transcendentais. A memória colectiva dos herois deve ser visível e tangível através de um símbolo memorial, colocada em um único lugar, para que todas as gerações possam conhecê-los e se inspirar neles, começando por Simão Gonçalves Toco, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Malheiro Savimbi.

A memória e percurso histórico dos três actores políticos são bem conhecidos pela sociedade angolana, mas a memória histórica de Simão Gonçalves Toco, não é extensivamente conhecida por todos, pelo que, sem ambiguidades trazemos aqui, apenas 10%, do contributo que prestou à nação, ao continente e ao mundo.

Memória do percurso histórico de Simão Gonçalves Toco na libertação dos povos oprimidos de Angola, de África e do Mundo

Simão Gonçalves Toco, nascido no dia 24 de fevereiro de 1918, na província do Uíge, é nacionalista, pan-africanista e universalista. Por causa da sua missão e propósito divino sofreu cadeias e aprisionamentos in situ, no período colonial, no ex-Congo Belga, em Angola e em Portugal, durante 34 anos, o que corresponde a 12.410 dias de cadeias, castigos e suplícios, sem culpa formada por ofensa material, política, moral ou intelectual; senão, apenas o despertar da consciência de seus irmãos, os povos africanos que estavam encapsulados no manto da colonização. Sua mensagem era baseada no ensino da palavra de Deus para uma convivência pacífica entre brancos e pretos, dentro do amor, união, justiça e igualdade de direitos entre os homens. Como consequência conheceu piores momentos de castigos e tentativas de mortes nas masmorras coloniais, a saber:

De 1949 a 1950, foi preso pelas autoridades coloniais Belgas, no ex-Congo Belga, actual RDC, tendo sido colocado numa cadeia eléctrica e posteriormente submetido a outras prisões in situ, e temendo a invencibilidade do seu poder, foi expulso para Angola, e entregue às autoridades coloniais portuguesas;

De 1950 a 1962, sofreu em Angola grandes sevícias, dentre elas, no sul de Angola; foi trucidado pelo tractor e seu corpo cortejado pelas láminas das charruas; foi colocado dentro do forno de cozedura de cal hidráulico à uma temperatura superior a 850oC; foi atirado para o alto mar; foi submetido à trabalhos forçados em condições desumanas inimagináveis, com uma vigilância cerrada 24 horas ao dia, durante 12 anos no sul de Angola.

O Dr. António de Oliveira Salazar, nas vestes de Presidente do Conselho de Ministros, era homem poderoso, temível e terrível, com o sistema de segurança inquebrantável e governação opressiva, autoritária, vingativa. Dada a multiplicidade de funções que desempenhou, tinha uma máquina de repressão colonial portuguesa, assente na PIDE-DGS, símbolo de morte. Vendo a invencibilidade de um preto na jurisdição da sua colónia, não ficou convencido que estava diante de uma realidade. Rápidamente chamou Simão Gonçalves Toco, para junto de si, em Portugal, para ser ele próprio a operacionalizar as acções de eliminação física. Chegado no Palácio de S. Bento, Salazar disse: Simão, oiço dizer que o Senhor não gosta dos brancos, em Angola, mas, aqui estás em Portugal, onde só há uma porta de entrada, e não de saída. Por isso, aqui morrerás, tal como morreu Ngungunhana e tantos outros que se oposerem às minhas ordens, sejam brancos ou pretos.
Em resposta, Simão disse: Ngungunhana foi um Régulo, preto de Moçambique, mas eu sou de Angola, um preto diferente de todos os pretos de África. Eu vim aqui para te enterrar, e quando isso acontecer, voltarei para minha terra. Salazar muito irritado por esta afronta, ordena exilar Simão Toco na Ilha dos Açores. Mas, antes que chegue à Ilha dos Açores, orientou o esquadrão da morte jogá-lo do avião para o mar, no trajecto Lisboa-Açores. Quando tentaram segurá-lo e jogar-lhe para o oceano, a aeronave ficou parada no ar, o tempo que foi necessário para aquela equipa assassina se arrepender. Só assim os motores do avião voltaram a funcionar até aterrar ao destino. Alí Simão Toco permaneceu 11 longos, duros e sacrificados anos.

Em 1968, Salazar teve um incidente grave, tendo caído bruscamente da sua cadeira de praia, enquanto desfrutava de algum ar fresco, e bateu com a cabeça na pedra do chão, do qual resultou a sua imobilização total; e expirou a vida 2 anos depois, em 1970. O veneno de Salazar ainda estava activo e a máquina assassina, no dia 15 de Outubro de 1973, internou o santo Profeta Simão, no Hospital da Santa Casa da Misericórdia, em Ponta Delgada, onde lhe arrancaram o coração. Para fechar com a chave de ouro, depois de múltiplas victórias, e antes de deixar Portugal, o universalista, protagonizou um feito extraordinário aos Portugueses, dando-lhes a liberdade para a sua autodeterminação, tendo Simão Toco sido o principal agente catalizador do 25 de abril de 1974, que ditou o derrube do sistema repressivo ditatorial colonial Português. No total foram 24 anos de calvários, sendo 1 ano no ex-Congo Belga, RDC + 12 anos no sul de Angola + 11 anos do exilo, em Açores – Portugal.

Regressou em Angola, em Luanda, no dia 31 de Agosto de 1974. Em Setembro de 1974, o General António de Spinola, convida Simão Toco ir à Portugal, para lhe dar a chave de dirigir e governar Angola. Mas, o Profeta Simão, delega este missão aos três actores políticos, para que no ciclo de 4 anos, cada um provasse os frutos da luta pela independência, começando por Agostinho Neto, seguindo-se Holden Roberto e depois Jonas Malheiro Savimbi.

De 1976 à 1980, o Profeta Simão Toco conheceu 15 das piores cadeias e maus tratos protagonizados por algumas pessoas de má fé ligados ao ex-sistema comunista de Angola. Foram 5 anos de suplícios e calvários piores dos momentos de perseguição colonial. Parecendo ser jogo de ping-pong, Simão Toco era levado e trazido, sua casa foi vandalizada e atacada com armas de fogo, por individuos de má fé, embebidos pela doutrina socialista do comunismo científico que defendiam a não existência de Deus.

Dentre as 15 cadeias e aprisionamentos in situ, a 11a foi das piores, onde o corpo do Profeta Simão foi totalmente esquartejado, a mando do Comandante da Organização da Defesa Popular “ODP” e Vice Ministro da Defesa, Domingos Paiva da Silva, que no fim, reconheceu o erro cometido e redimiu-se, e tornou-se o melhor amigo do santo Profeta. É o mesmo que completa 107 anos, no dia 24 de fevereiro, e está presente na forma enigmática. Qual?

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