João Carlos de Andrade, identificado como proprietário da empresa "JC Andrade" e com o NIF 5417327832, está a ser acusado por vários clientes de burla e de vender a mesma residência a mais de um comprador no âmbito do projecto habitacional Infinity Gold 1, localizado na Cidade Universitária, no município da Camama, bem como em outros projectos residenciais de sua autoria.
Com o escritório situado na centralidade do Kilamba, Bloco W, prédio 6,
apartamento 23, o empresário é alvo de várias denúncias relacionadas com burla,
além de queixas de moradores quanto à não execução dos acabamentos nas
residências. Os clientes apontam, ainda, irregularidades na fase pós-venda, com
destaque para a falta de entrega de documentos essenciais.
Um dos moradores relatou: "Adquiri a minha casa inacabada em 2020, ao
preço de 18 milhões de Kwanzas, mas até agora não tenho a documentação, porque
o senhor João não aceita assiná-la e foge quando é pressionado". Outro
morador indicou que, após a compra de uma casa inacabada, constatou que a mesma
havia sido vendida a outra pessoa, tendo sido posteriormente realocado para
outro espaço, mas estando ainda a lutar pela desanexação.
As queixas não se limitam a problemas com a documentação e a conclusão das
obras. Moradores mencionam a falta de serviços básicos, como fornecimento de
energia eléctrica e abastecimento de água potável, além da ausência de
infraestruturas de escoamento de águas residuais, creche, colégio e espaços
para a prática de desporto. Em relação a isso, uma moradora afirmou: "Na
fase da venda das casas, foi-nos garantido que teríamos todos os serviços no
interior do condomínio, conforme está nos acordos, mas chegando cá e observamos
a estrutura, não tem nada de jeito. Consumimos energia de gerador e água das
cisternas".
Os clientes também referem que a empresa "JC Andrade" não mantém
parcerias com empresas especializadas no ramo da construção civil, tendo as
residências sido erguidas por pedreiros recrutados na rua, sem o acompanhamento
adequado de engenheiros. "Fomos descobrindo, mais tarde, que quem constrói
as residências são pedreiros recrutados na rua, o que é o normal, mas que teria
um acompanhamento de engenheiros de construção civil", disseram alguns dos
lesados.
Fontes indicam que João Carlos de Andrade goza de apoio de figuras do
governo e da Polícia Nacional, o que, segundo relatos, lhe confere uma sensação
de impunidade. No seu escritório, o empresário teria afirmado que qualquer
queixa contra si não teria repercussões.
Além do projecto Infinity Gold 1, a empresa "JC Andrade" também é
responsável por outros empreendimentos habitacionais, como o Infinity 2 e 3, o
condomínio "Quinta da Mancinha", o "Orquídeas de Viana 1"
(em litígio com um dos parceiros) e o "Orquídeas de Viana 2", assim
como o "Estrela de Belas", entre outros. De acordo com as fontes,
todos estes projectos enfrentam problemas de execução e, em casos de rescisão
de contrato, os clientes podem perder até 50% do valor já pago.
O caso está a ser acompanhado de perto pelas autoridades, com os lesados a
aguardarem uma resolução para os seus problemas.
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