De Ana Gomes a Fernando Nobre, oito rostos da política e da sociedade pediram a Marcelo e ao Parlamento que sejam o garante da moderação e de "estímulo do diálogo" entre as partes e pedem que Portugal proteja ao candidato, que está ausente de Moçambique desde as eleições.
Num "apelo de segurança urgente", oito personalidades enviaram
uma carta a Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, pedindo que o
chefe de Estado dê proteção a Venâncio Mondlane, líder da oposição moçambicana
e candidato presidencial.
Ausente do país desde as eleições (que aconteceram a 9 de outubro), devido à instabilidade política, social e militar provocada pela recusa em aceitar os resultados eleitorais, Mondlane regressará na quinta-feira a Moçambique. E, por isso, apelam os subscritores, "importa apelar às autoridades moçambicanas que garantam a segurança" do candidato.
Na missiva -- a que o DN teve acesso --, que foi enviada para Belém, bem
como para São Bento, os subscritores (onde estão nomes como os ex-candidatos
presidenciais Ana Gomes, Fernando Nobre ou João Soares, ex-ministro e
ex-autarca, os jornalistas angolanos William Tonet, de quem partiu o apelo, e
Orlando Castro ou o político brasileiro Léo Silva Alves) defendem que
Presidente da República, primeiro-ministro e a Assembleia da República
"podem e devem" ter um "papel de moderador e de estímulo ao
diálogo entre as partes".
Em democracia, dizem as oito figuras, todos estão "convocados ao dever
cívico, assente numa cidadania ativa e responsável", ajudando Moçambique
"a encontrar a via do diálogo e da aceitação das regras basilares de um
Estado de Direito e Democrático".
Na carta, enviada no dia 6 de janeiro (segunda-feira), defendem que
"os moçambicanos enfrentam uma devastadora situação de pré-guerra
civil" perante o qual se impõe "o dever cívico" de "tudo
fazer para evitar um desastre de enorme envergadura".
"O apelo geral da sociedade portuguesa, através nomeadamente dos seus
representantes políticos, é uma obrigação indeclinável, que as circunstâncias
atuais não só legitimam, como indiciam ser decisiva", defendem.
Em reação às eleições em Moçambique, o Presidente da República disse, num
comunicado, ter tomado "conhecimento dos candidatos e da força política
declarados formalmente vencedores" pelo Conselho Eleitoral e saudou
"a intenção já manifestada de entendimento nacional", sublinhando
"a importância do diálogo democrático entre todas as forças políticas, que
deve constituir a base de resolução dos diferendos, no quadro e no
reconhecimento das novas realidades na sociedade moçambicana e do respeito pela
vontade popular".
E reafirmou ainda "a amizade fraternal entre os Estados e os povos de
Portugal e de Moçambique e a cooperação e parceria em todos os domínios ao
serviço dos dois povos irmãos, na construção da paz, no respeito pelos Direitos
Humanos, da Democracia e do Estado de Direito, no Desenvolvimento Sustentável e
na Justiça Social".
Leia aqui o apelo na íntegra:
"Na próxima quinta-feira, dia 9, regressa a Moçambique o líder da oposição
e candidato presidencial Venâncio Mondlane, que se ausentou do país por
questões de segurança e em resultado da instabilidade política, social e
militar provocada pela não aceitação dos resultados eleitorais.
Os subscritores acreditam que o Presidente da República, a Assembleia da
República, bem como o Governo, em representação de todos os cidadãos
portugueses, podem e devem desempenhar nesta altura crucial para os nossos
irmãos moçambicanos, o papel de moderador e de estímulo ao diálogo entre as
partes.
Em Democracia, todos somos convocados ao dever cívico, assente numa
cidadania ativa e responsável, de ajudar Moçambique a encontrar a via do
diálogo e da aceitação das regras basilares de um Estado de Direito e
Democrático.
Presentemente os moçambicanos enfrentam uma devastadora situação de
pré-guerra civil que nos impõe o dever cívico de tudo fazermos para evitar um
desastre de enorme envergadura.
O apelo geral da sociedade portuguesa, através nomeadamente dos seus
representantes políticos, é uma obrigação indeclinável, que as circunstâncias
atuais não só legitimam, como indiciam ser decisiva.
Considerando essa instabilidade, na perspetiva de que Venâncio Mondlane
possa ser também um fator de estabilização, de pacificação e de reconciliação
nacional, importa apelar às autoridades moçambicanas que garantam a sua
segurança.
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