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Fantasma de Luxo: Como Roubar 7 Mil Milhões e Acreditar que Ninguém Vai Notar? - Denilson Duro

 A criatividade angolana! Num país onde a maioria vive com um "orçamento mensal" que mal dá para comprar cestas básicas, eis que surgem os génios da AGT, armados com privilégios de acesso ao sistema e uma ambição que nem a inflação consegue superar. Afinal, quem precisa de moralidade quando se pode ter reembolsos ilegítimos de IVA, redução de multas e viaturas de luxo?

Talvez, na cabeça deles, a riqueza acumulada às escondidas fosse como um passe mágico para uma vida de extravagância, sem que ninguém notasse. Mas, convenhamos, quando se começa a desfilar num carro de luxo em ruas onde as pessoas ainda andam de táxi colectivo, o disfarce perde um pouco da eficácia, não acha? É como tentar ser um fantasma, mas vestido de roupas de feitura néon. A emoção é angolana, mas o raciocínio... é de quem esqueceu onde vive.

E depois vem a cereja no topo do bolo: 301.950 dólares, 66 milhões de kwanzas, 4.860 rands e sei lá mais o quê, tudo guardadinho como se fossem troféus. A ironia é que, enquanto metade do país sonha com uma refeição completa, esses iluminados acreditam que ninguém notaria a "pequena fortuna" a brotar do nada. O plano deles seria perfeito... se estivéssemos num filme mal produzido de Hollywood.

Mas, claro, aplausos ao Serviço de Investigação Criminal (SIC)! Num país onde saber abrir uma folha de cálculo no Excel já faz de alguém um “perito em TI”, eles mostraram que a tecnologia não é só para jogos de FIFA. Num raro momento de triunfo, o SIC usou cibersegurança para desmascarar esta ópera de fraudes. Se continuarem assim, até pode ser que um dia Angola entre no ranking de países onde a justiça tecnológica não é só um mito. Bravo, SIC! Porque, no final das contas, alguém precisa lembrar que corrupção, por mais elaborada que seja, nunca foi sinónimo de inteligência.

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