O tĂ©cnico Alexandre Santos fez o pleno nas trĂȘs temporadas em que orientou o Petro de Luanda no Girabola, um feito inĂ©dito nos anais da competição. Mas como nĂŁo hĂĄ bela sem senĂŁo, o imperador Alexandre, em alusĂŁo ao grego, tornou-se no Ășnico treinador tricolor que conquistou campeonatos sem vencer em campo um Ășnico jogo ao 1.Âș de Agosto, adversĂĄrio com quem canta o Ășnico clĂĄssico do futebol nacional.
Todas as vezes em que venceu trĂȘs provas seguidas, os
petrolĂferos perderam sempre, pelo menos uma vez, com o arqui-rival, mas nunca
ficou uma Ășnica vez impossibilitado de tambĂ©m deixar a sua marca vencedora no
seio dos militares, como aconteceu agora sob comando do imperador Alexandre,
que sai porque nĂŁo renovou o contrato.
Assim como sucedeu quando o Petro fez o primeiro tri da sua histĂłria, entre 1986-1988, agora com Alexandre Santos a equipa tambĂ©m somou duas derrotas com o 1.Âș de Agosto em seis jogos disputados. Por exemplo, em 1986 perdeu na primeira volta por 2-0, enquanto em 1988 o desaire foi de 3-2, ambos os jogos disputados nos Coqueiros.
Esses desaires não deram espaço para a ilustração do
arroz sem sal, porque quando houve necessidade de desforra, como em 1986, a
resposta foi dada com vitória. A equipa tricolor venceu a edição do Girabola de
1986 com uma Ășnica derrota, exactamente contra os rubro e negros, no mesmo jogo
em que Jesus regressou de lesĂŁo e Abel saiu lesionado. No segundo turno a
partida terminou 1-0 para o Petro com golo de cabeça de Abel.
Assim como reconheceu Alexandre Santos, numa
entrevista, depois da consagração, o Petro de Luanda às vezes esteve com a mão
na massa, mas deixou sempre escapar a oportunidade de prevalecer até ao fim
sobre o 1.Âș de Agosto.
A imagem protectora do primeiro duelo, empate a dois
golos na época 2021/22, acabou sempre por favorecer aos dagotinos, pois, quando
a derrota parecia iminente, conseguiam sempre desenrascar a igualdade, até
mesmo com lances caĂdos do cĂ©u, como o de Dago, no desafio de estreia do
presente campeonato, golo no fim da partida.
Este empate depois virou vitĂłria na secretaria, porque
a formação do Eixo Viårio protestou o jogo por causa de utilização irregular do
médio Bruno Jesus, que deveria cumprir um jogo de suspensão, mas acabou por ser
utilizado, o que originou um desaire extra-campo para a turma do Rio Seco.
Antes de Alexandre Santos chegar ao futebol nacional,
o Petro vinha de duas vitĂłrias seguidas sobre o 1.Âș de Agosto, uma no
campeonato e outra na taça, mas os tricolores nunca conseguiram dar sequĂȘncia
as vitĂłrias que vinham alcançado, o que faz com que Santos saĂa do campeonato
angolano com a mancha de ter [con]vencido a todos, excepto ao rival. Antes
dele, sĂł o brasileiro Alexandre Grasseli ficou anos no Petro sem ajudar os
tricolores a derrotar os militares no Girabola.
Arroz sem sal do Petro no Girabola
O sal é um conservante que ganhou espaço no futebol
nacional, porque antes do jogo da segunda volta, o técnico Filipe Nzanza usou a
ilustração do arroz sem sal, para minimizar uma possĂvel conquista do Petro sem
vencer ao rival dos rivais, como realmente aconteceu.
A "provocação” de Nzanza mereceu vĂĄrias respostas
de Alexandre Santos. Em vĂĄrias entrevistas sobre o assunto, feitas para
jornalistas, dentro e fora de Angola, Santos respondeu a Filipe Nzanza na mesma
moeda, ou seja, com o argumento do tĂtulo conquistado pelos tricolores, mesmo
sem precisar de passar pelo eterno adversĂĄrio.
O "beef” entre os dois treinadores animou os
adeptos, sem que os dois treinadores se apercebessem que o sal realmente pode
perder a sua salinidade, a ponto de tornar-se uma substĂąncia sem gosto, mesmo
se utilizado na comida.
O Sagrada Esperança foi a primeira equipa a derrotar o
Petro de Luanda de Alexandre Santos, mas o 1.Âș de Agosto de Filipe Nzanza foi o
Ășnico que conseguiu vencer os tricolores, duas vezes no mesmo campeonato.
Aconteceu na época passada, 1-0 e 2-1, foram os resultados finais.
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