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Brigadeiro Kalulu, o guarda-costa referido de savimbi

A sua mais recente nomeação para o cargo de Delegado Provincial do Ministério do Interior e Comandante Provincial do Bengo da Polícia Nacional, passou por despercebido do público, porém,  o mesmo não aconteceu nas hostes da UNITA, onde a sua fama se fez  por  conta de uma narrativa   que o apresenta como  o guarda-costas    que certa vez fugiu com Savimbi às costas quando, este estava fragilizado  e  às FAA, estiveram perto de pegar o “velho”  guerrilheiro. 

 Nascido no município do  Andulo, Delfim Kalulu Inácio, cresceu na Jamba e depois transferido para o Likuwa, a então  principal base de logística da então guerrilha, a caminho do Mavinga, província do Kuando Kubango.  Delfim Kalulu, acarretava a reputação de ser  um jovem disciplinado e inteligente do liceu do Luengue, localizado nesta mesma base.  Os predicados que lhe eram atribuídos fez com que uma equipa dos Serviços Gerais de Informação da UNITA, o escolhessem a dedo para integrar   a   escolta do então líder, Jonas Malheiro Savimbi.


Estava-se no ano de 1990, e ao contrario dos guardas presidências (batalhão Mocho) que foram treinados na década de 80 pelos “Recce” da África do Sul, Delfim Kalulu Inácio teve a sua formação militar nas  matas de Angola   e de seguida enviado para os Estados Unidos da América para uma formação avançada  em proteção de individualidades protocolares.  Conta-se que pela sua forte constituição física, também recebeu  treinamento  no sentido de levar às costas dirigentes em momento de resgate.

 Como guarda pessoal de Jonas Savimbi, esteve  presente em Lusaka, quando Jonas Savimbi e Eduardo dos Santos trocaram abraços, como se confirmam em vários registros históricos. Também esteve  ao lado do “velho” em todos os momentos  e cerimonias que se registaram nos antigos bastiões da guerrilha, até os últimos meses de vida  do líder, que o promoveu a brigadeiro das extintas FALA.  Apesar de já ser comissario da Polícia Nacional, os seus antigos companheiro da UNITA ainda o tratam por “Brigadeiro Kalulu”. 

 A saída da coluna presidencial  

 Na última fase do conflito armado,  Kalulu Denis  deixou de fazer parte da coluna de Jonas Savimbi, depois de se  terem desperdiçado   no decorrer  de um ataque  sofrido pelas mãos das FAA no dia 17 de Dezembro de 2001, precisamente no dia em que o falecido líder da guerrilha  tencionava anunciar ao mundo as chamadas “tréguas de natal”.  Depois do ataque, Savimbi previa que seriam novamente perseguidos e deu instruções a  Kalulu para que  ficasse com a guarda de  dois dirigentes da sua coluna, Alcides Sakala Simões  e Celestino Capapelo que estavam debilitados. As instruções de Savimbi era no sentido de se realizar  manobras de diversão para áreas mais seguras. Capapelo   recusou  em deixar a  coluna presidencial acabando por morrer de fome a 4 de Fevereiro de 2002.

 No livro memórias de um guerrilheiro, Alcides Sakala,  responsável pelas relações externas da direção da UNITA descreve que  quando tomaram rumo diferente da coluna presidencial, o líder Jonas Savimbi desejou-lhe  “muita sorte  e comunicou me,  que o seu melhor guarda-costas, o brigadeiro Kalulu, que chamou a seguir – o homem da minha confiança- , ficaria comigo e se alguma coisa me acontecesse ele seria o responsável”.

 Nesta caminhada, a coluna  do Brigadeiro Kalulu,    sofreu   ataques o que precipitou o anuncio, por parte da presidência angolana, a declarar  que Alcides Sakala  estava  morto.

 No mesmo livro,  Sakala conta que o ataque ocorrido a 6 de Janeiro de 2002, na margem do rio Chama,  “ocorreu por volta das 16h e encontrava-me na base em conversa com o brigadeiro Kalulu, quando ouvimos os tiros e algumas balas, em ricochete, chegarem à base. Eram balas  de metralhadoras pesadas , mas era efectivamente uma indicação que as FAA perseguiam os nossos soldados que partiram para o local com apenas cinco armas. Não tiveram tempo  de responder , porque foram surpreendidos do flanco em que menos contavam com o ataque”.

 Ainda por debaixo de fogo -  já no dia 22 de Janeiro quando se encontravam a margem do rio Chiussi -  Sakala descreve que ao fugirem das FAA “demo-nos a atravessar uma anhara com o brigadeiro Kalulu que se mantinha  firme ao meu lado e ao som de rebentamentos de granadas  de Castor que eram disparadas  sobre nos ao acaso”.

 As intrigas palacianas 

 A saída da coluna presidencial do brigadeiro  Kalulu, que na altura era um dos mais bens constituídos da  guarnição  de Savimbi, ainda é aos dias de hoje objecto de controvérsia dentro da UNITA.  Há versões de que – não obstante – Savimbi confiar muito nele e precisar de alguém para cuidar de  dois dirigentes debilitados (Sakala e Kapapelo), terá escolhido o brigadeiro Kalulu por obediência a cálculos de uma estratégia  de conforto pessoal que visava afastar este oficial da sua escolta. Savimbi, segundo versões internas, estava atravessar a curva mais apertada da sua vida, e optou por ter o brigadeiro Kalulu distante da coluna por conta de uma mágoa  envolvendo um irmão daquele, o general “Long Fellow”, a quem o líder rebelde  enviara em 1996, para integrar as FAA junto com o general “Ben Ben” e outros oficiais como Domingos  “Wiyo”, Felizberto N'Gele, Chipa, N'Bunji, e Wenda. 





O pós-Savimbi 

 Com a conclusão dos acordos de paz resultante da morte de Savimbi, o brigadeiro  Kalulu, ao contrario dos seus colegas que reintegraram  as FAA, foi colocado na Policia Nacional. Inscreveu se  na Universidade Agostinho Neto, tendo ai concluído em 2016, a licenciatura em sociologia. 

 Na Policia nacional, esteve  como chefe do Estado Maior da Polícia de Guarda Fronteira (PGF), tendo sido um dos entusiastas do  projecto LRD (Protecção Electrónica da Fronteira). Há 17 de Novembro de 2017, quando decorreu a nomeação de Alfredo Panda como comandante Geral da PN, o  novo Chefe de Estado,  João Lourenço promoveu-o também ao posto policial de  comissário. Kalulu Dinis   já estava  como 2o comandante da Polícia de Guarda Fronteira. Porém, seria nas mais recentes remodelações que o ministro do interior, Ângelo de Barros Veiga Tavares proporia o  seu nome ao PR, para que passasse a chefiar  o comando provincial da Polícia Nacional no Bengo.

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