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Abate indiscriminado de hipopótamos em Malanje dirigido por autoridade

 A prática tem lugar na província de Malanje, município de Kangandala, há vários anos para cá, apesar da lei de protecção da fauna e flora nacional, a protecção dos animais em causa na região está longe de ser uma realidade, uma vez que em volta da situação está envolvido autoridades provinciais, com incidência para o antigo Comandante municipal de Kangandala, identificado apenas por Nunes.

 O nosso interlocutor, Manuel Pinto, que denunciou o facto, revela que o crime não é denunciado por ninguém, principalmente pela população local por temerem por sua vida por parte das autoridades envolvidas no caso.

Segundo o nosso denunciante o negócio do marfim que gera somas avultadas de dinheiro está na base do abate massivo dos hipopótamos mais especificamente no corredor do Kwanza, entre o rio Luando e o Kwanza, defende existir prática da corrupção directa ou indirecta das autoridades tradicionais (sobas) na zona, pelo facto de estes terem o conhecimento dos actos sem no entanto se pronunciarem sobre as acções.

“Os actos do senhor Comandante têm sensivelmente que ver com o costume ou seja a prática da caça furtiva, com destaque para os hipopótamos, que são na zona de Kangandala, precisamente, e até aqui a mim me parece que essa prática não tem fim, devido a falta da fiscalização não diria, porque quem divia fiscalizar, quem devia manter essa fiscalização é o próprio senhor Comandante que está envolvido nisso”.

 O nosso interlocutor que denunciou com provas disse que, desde o dia 2 de Janeiro de 2019 até precisamente a data de 13 de Setembro de 2022 foram abatidas cerca de 51 peças de hipopótamos, na zona.

“Desde o dia 2 de Janeiro de 2019 até precisamente a data de 13 de Setembro de 2022 foram abatidas cerca de 51 peças de hipopótamos, numa zona de difícil acesso também, porque tem sido essa a facilidade. Por quê? Por ser uma zona de difícil acesso, e os seus colaboradores directo fazem-no de forma como se não tivesse fim para parar com isso”, alertou o denunciante, que assegurou ainda que apesar da substituição do então Comandante, a prática do abate dos animais, com realce para os hipopótamos continua.

“Porquê? Como provavelmente deve ter ouvido, devido essa prática, embora não saia a público porque as pessoas não questionam este segredo, mas o senhor Comandante foi trocado já de área. Só que quem o substitui ainda, e é esse mesmo o envolvimento que facilita o trabalho dele, o seu tio que era até então o Segundo Comandante Provincial de Malanje, é que nomeia esse Inspector a cargo de Comandante Municipal de Kangandala, e a esposa desse senhor Nuno, eu lhe identifico apenas por senhor Nuno, porque prontos, enfim, é até onde eu pôde chegar com essa matéria; lhe identifico apenas como Nuno, mas a esposa também que é Inspectora, exactamente veio como forma de encobrir os afazeres do marido”.

“Portanto, ainda que vá um outro indivíduo, não vai conseguir trazer esse trabalho a tona”, denunciou o cidadão, que pediu ajuda de todas as pessoas interessadas e preocupadas com a situação no sentido de apoiarem para a divulgação e denúncias desses actos.

 De acordo com o nosso interlocutor que se deslocou de Malanje para Luanda para expor a situação, confirma que apesar do anterior Comandante ter sido substituído no ano passado, a caça furtiva dos hipopótamos continua porque o então Comandante já domina o esquema.

“Repare que ele já não está nessa, neste momento, desde o ano passado que foi substituído, está um outro. Ele está no Cahombo, também em Malanje; mas ainda assim, como já conhece as fonte, já conhece as áreas, através dos seus colaboradores directo; os esquemas, a prática não parou. Mesmo sendo transferido para uma outra área, como já tem um canal, aquele corredor Kwanza que liga entre o Luando e o Kwanza, ali mesmo na foz do rio Luando e o Kwanza, é onde se passa com frequência essas práticas”.

 De acordo com nosso denunciante, entre os colaboradores secretos com quem lida o senhor Nunes, está também os sobas.

“O soba Manásses Januário Monteiro é muito influente do senhor Comandante, é muito influente desse Inspector Nuno. E, esse por ser soba lá da zona, dessa zona; porque nós estamos a falar do corredor Kwanza, na zona Sul de Kangandala. Porque também está outro problema que tem que ver com o próprio acesso até a zona. A mim me parece que os trabalhos administrativos, assim de forma pública, não chegam, e daí a facilidade constante para o aproveitamento desse esquema que não tem fim; a mim me parece mesmo não ter fim até ao momento”, disse o denunciante que não descarta a prática da corrupção aos sobas, o que permite a continuidade das acções.

“Obviamente está envolvido nesse esquema a corrupção, porque quando vem por exemplo, com algum saquito de arroz, para entregar ao soba, com algum saquito talvez diria mesmo de açúcar para entregar ao soba, afim de você ser mais protegido no sentido do soba não estar nervoso consigo, portanto, isso indica que é mesmo corrupção”, denunciou o cidadão, que assegurou também que, além da própria carne em si, estão os marfins, o negócio dos marfins, que é o que mais interessa provavelmente ao senhor Comandante.

“Eu estou assegurado, eu tenho prova de que parte que mais interessa, além da própria carne em si, estão os marfins, o negócio dos marfins. Estão muito envolvidos nisso. Ou seja é o que mais interessa provavelmente ao senhor Comandante. Mas, prontos, a denúncia só não chega a tempo e hora devido a esses factores; devido esses factores que a estantes eu enumerei, que tem que ver com a falta de coragem e a própria consciencialização do cidadão em fazer denúncias a volta disso”, disse o nosso interlocutor.



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