A escritora moçambicana Paulina Chiziane participa, hoje, às 16h00, na Missão Católica da Huíla, a 16 quilómetros do Lubango, na cerimónia de apresentação do Volume II da colectânea “Os Bantu na visão de Mafrano”.
A escolha da data e hora indicadas para um evento foi preparado em estreita coordenação com a equipa da escritora Paulinha Chiziane e os demais intervenientes.
A escolha da Missão Católica da Huíla justifica-se pelo seu duplo significado histórico: por um lado, foi aí onde estudou o cónego José Pereira da Costa Frotta, o sacerdote santomense que foi tutor de Maurício Francisco Caetano, "Mafrano”, e, por outro lado, trata-se de um Monumento Histórico e Património Nacional, além de ser um Seminário.Espera-se também que a apresentação da obra de Mafrano
coloque lado a lado a escritora moçambicana, laureada com o prémio Camões 2021,
e Dom Zacarias Kamwenho, laureado com o prémio Sakharov 2001 e autor do
prefácio da colectânea "Os Bantu na visão de Mafrano”.
A apresentação da obra de Mafrano na Huíla esteve
inicialmente agendada para Julho deste ano, mas foi sucessivamente adiada por
coincidir com o Festival Mundial da Juventude, realizado na mesma altura, em
Lisboa, e no qual a diocese da Huíla também se fez representar. De Julho até à
data, uma série acontecimentos e compromissos, de ambas as partes, acabaram por
adiar a apresentação desta obra póstuma que já se transformou num novo ícone da
antropologia social em Angola e além fronteiras.
A escritora moçambicana chegou na noite do dia 26 de
Novembro, a Luanda como convidada do Congresso da Ordem dos Engenheiros de
Angola, que . Paulina Chiziane havia já acolhido com muito interesse um
projecto para se levar o volume II da colectânea póstuma de Mafrano
até Maputo, numa iniciativa que envolve amigos da família do autor e
a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO).
Paulina Chiziane, 68 anos, iniciou a sua atividade
literária em 1984, com histórias publicadas na imprensa do seu país, muitas das
quais sobre assuntos sociais polémicos como é o caso da poligamia em Moçambique
e, "grosso modo”, em África. A sua bibliografia inclui outras obras como
"Balada de amor ao vento” (1990), "Ventos do apocalipse” (1993),
"O Sétimo Juramento” (2000), "O Alegre Canto da Perdiz” (2008)
e "As Andorinhas” (2009).
Em 2003, a escritora moçambicana conquistou o prémio
José Craveirinha da Literatura, com o romance "Niketche”, e em 2021,
tornou-se a primeira mulher a ser distinguida com o Prémio Camões, a mais
prestigiosa distinção conferida a escritores de Língua Portuguesa.
Maurício Caetano, "Mafrano”, era um menino órfão,
com seis anos, quando o Cónego José Pereira da Costa Frotta levou-o para a
Escola da Missão Católica do Dondo e, mais tarde, para o Seminário de Luanda,
onde completou os seus estudos. Depois de concluir os estudos em terras
angolanas, o Cónego José Frotta, foi ordenado sacerdote, em 1905, em São Tomé e
Príncipe, e regressou novamente para Angola para onde trabalhou até aos seus
últimos dias, falecendo em Luanda aos 29 de Junho de 1954. José Pereira da
Costas Frotta foi pároco da Muxima e da Igreja do Carmo, em Luanda, fundador da
freguesia de Cambambe e da escola da Missão Católica do Dondo (província do
Cuanza-Norte).
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