A Independência Nacional congratula-nos pelo 11 de Novembro, dia da nossa libertação do jugo colonial. A todos os heróis e mártires da Luta de Libertação Nacional, tenham sido eles da FNLA, do MPLA e da UNITA, aqui e agora expressam a gratidão e reconhecimento pelos sacrifÃcios à causa do Povo angolano.
Conquistada a Independência Nacional, Angola precisa de se libertar da fome, da pobreza, da miséria, da corrupção, do obscurantismo e do medo! Busquemos a Independência Total; temos tudo para Angola ser democrática e desenvolvida. Falta-nos uma liderança capaz de realizar os sonhos de liberdade, democracia, justiça social, prosperidade, dignidade e felicidade. A UNITA, Frente Patriótica Unida (FPU), oferece essa liderança para Angola.Após análise da Proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2024, consideramos ser nossa responsabilidade patriótica alertar a Nação angolana, em palavras simples, sobre os perigos que este Orçamento representa para a estabilidade, o crescimento e desenvolvimento sustentável do nosso PaÃs.
Com este Orçamento, em 2024 a vida das famÃlias vai piorar, o
desemprego vai aumentar, o preço da gasolina poderá voltar a subir, o kwanza
vai desvalorizar ainda mais, o preço da comida vai continuar a subir e os que
desviam o dinheiro do Povo para benefÃcio próprio vão continuar a roubar.
O Executivo alega que a sua Proposta de Orçamento assenta
numa estratégia com três prioridades:
1. Fortalecer mais
o rendimento das famÃlias.
2. Investir mais
nas empresas e na economia.
3. Tornar o OGE
mais sustentável.
É nosso dever alertar a Nação angolana, com enorme preocupação, que nenhuma dessas prioridades será alcançada, porque os pressupostos não são realistas, o PaÃs está falido e o Governo não cumpre a Lei.
Por exemplo:
1. Para o ano
corrente de 2023, o Governo dizia que a inflação seria de 11%, mas a inflação
real até agora está nos 18%! Para o ano de 2024, o Governo afirma que a
inflação vai ficar-nos 15,3%. Já vimos que basta subir o preço da gasolina,
tudo sobe, desde o pão, o sal, até às propinas. Então, se o preço da gasolina
voltar a subir, não faz sentido afirmar que a inflação vai descer dos actuais
18% para 15,3%.
Será que os salários também irão subir 15%? Para a função pública, o Executivo afirma que só vai aumentar 5%. Então como é possÃvel fortalecer o rendimento das famÃlias se os preços vão subir em 15% e os salários só sobem 5%?
Que fortalecimento é este?
E mais:
Quem precisar transferir
dinheiro dos seus rendimentos para apoiar familiares no exterior do
PaÃs, vai ter de pagar uma contribuição extra de 10% ao Governo, para além das
comissões que os Bancos cobram para transferir o seu próprio dinheiro.
Será que isso vai fortalecer o rendimento das famÃlias? O
Governo precisa mesmo de tirar das famÃlias o pouco que já conseguiram obter
com tanto sacrifÃcio?
Os jovens estão a
dizer que o Executivo adoptou esta medida, porque ela não afecta os
governantes, que ganham das comissões que recebem com a sobrefacturação dos
contratos que assinam por via da adjudicação directa e não só. O pagamento
desses contratos é feito pelo Estado e as transferências cambiais feitas pelo
Estado, em que eles estão inclusos, porque recebem dos dois lados, estão isentas
desta contribuição especial de 10%.
Pagar dÃvidas atrasadas à s empresas, dÃvidas ocultas, dÃvidas
falsas e dÃvidas não certificadas não é um investimento. Capitalizar bancos
falidos para canalizar fundos públicos do Estado para projectos privados dos
governantes não é seguramente um investimento justo e legÃtimo na economia.
Fornecer garantias soberanas do Estado para possibilitar o financiamento de
empreendimentos privados e selectivos de rentabilidade duvidosa e sem
escrutÃnio público não melhora a qualidade da despesa, não credibiliza o Estado
e não fortalece a democracia e a reconciliação nacional.
3. A terceira prioridade do Executivo, que é tornar o Orçamento Geral do Estado mais sustentável, também não será alcançada, porque a sustentabilidade do Orçamento depende em grande medida da observância pelo Executivo dos limites impostos pela Lei da Sustentabilidade das Finanças Públicas, Lei que aprovámos a 30 de Setembro de 2020 (Lei n.º 37/20).
Esta lei impõe, por exemplo, que o rácio da DÃvida Pública
não deve ultrapassar 60% do PIB. Ora, o rácio actual da dÃvida pública é de 84%
do PIB. Só o endividamento junto do Fundo Monetário Internacional (FMI) no
valor de 4 mil milhões de dólares já está acima dos 200% da quota de Angola no
Fundo, portanto, bem acima do limite de exposição.
Quase 60% do Orçamento é para pagar dÃvida, mas o Governo não apresenta à Assembleia Nacional a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo e não aceita auditoria à DÃvida Pública.
O Artigo 13.º da Lei da Sustentabilidade das Finanças
Públicas, sobre a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo, determina o
seguinte:
Até ao dia 15 de Maio de cada ano (hoje é 15 de Novembro), o
Executivo deve actualizar e publicar a Estratégia de Endividamento de Médio
Prazo.
A Estratégia de Endividamento de Médio Prazo deve estar em
harmonia com as regras fiscais e com a Estratégia Fiscal e deve conter:
a) Uma descrição
dos custos e riscos da carteira de dÃvida existente, dos riscos de mercado a
serem geridos (moeda, taxa de juros e riscos de refinanciamento/rollover) e o
contexto histórico da carteira de dÃvida;
b) Uma descrição do
ambiente futuro para a gestão da dÃvida, incluindo as projecções fiscais e da
dÃvida, hipóteses sobre juros e taxas de câmbio e restrições à escolha da
carteira, relacionadas com o desenvolvimento do mercado;
c) Uma descrição de
potenciais fontes de financiamento;
d) A descrição das
análises realizadas para fundamentar a estratégia de gestão da dÃvida
recomendada, clarificando as hipóteses/premissas utilizadas e as limitações das
análises;
e) Estratégia recomendada e a sua lógica, que deve incluir faixas realistas para indicadores dos riscos de taxa de juros, refinanciamento e moeda estrangeira, reflectindo o ambiente especÃfico do PaÃs.
A Estratégia de Endividamento de Médio Prazo pode também ser
actualizada sempre que se verificarem alterações significativas nos
pressupostos macroeconómicos.
O Governo está a levar o PaÃs ao abismo. Neste momento, o
Governo precisa arranjar novas dÃvidas para pagar a dÃvida existente. Precisa
arranjar 14 biliões de kwanzas para pagar as amortizações e os juros que são
devidos aos diversos credores no exercÃcio fiscal de 2024. O Executivo ainda
não sabe onde e como vai arranjar este dinheiro.
Ao todo, pelas opções do Senhor Presidente da República, o
Governo quer gastar 24 bilhões, mas só espera receber dos impostos e das
exportações 10 biliões de kwanzas. O Presidente quer autorização do Parlamento
para pedir emprestado os 14 bilhões que faltam. E se conseguir tais
empréstimos, também não tem como pagar. E quer continuar assim até sair do
poder e deixar a dÃvida para nós, os nossos filhos e netos pagarmos.
Os angolanos não vão dar esta autorização ao Senhor
Presidente da República, porque o Povo já destituiu o Presidente da República.
A Assembleia Nacional, o Tribunal
Constitucional e o Tribunal Supremo estejam preparados para a conclusão do
processo.
Vejamos algumas das opções polÃticas mais incoerentes do
Governo:
Para a Divisão PolÃtico Administrativa (DPA) que visa adiar a
efectivação das autarquias o Executivo prevê gastar 1.334.212.000,00 (mil, trezentos
e trinta e quatro milhões, duzentos e doze mil kwanzas);
Para o Projecto para Institucionalização das Autarquias
Locais o Executivo prevê gastar 570.000.000,00 (quinhentos e setenta milhões de
kwanzas);
Para a Propaganda Institucional o Centro de Imprensa da
Presidência da República (CIPRA) vai receber 2.057.432.612,00 (dois mil,
cinquenta e sete milhões, quatrocentos e trinta e dois mil, seiscentos e doze
kwanzas);
Para a Merenda Escolar: 1.287.737.000,00 (mil, duzentos e
oitenta e sete milhões, setecentos e trinta e sete mil kwanzas);
O Governo dá mais importância à Propaganda Institucional do
que à boa alimentação das crianças! O PaÃs tem mais 2 milhões de crianças
excluÃdas do ensino primário obrigatório. Quo vadis nossa Angola? Quo vadis
Angola nossa?
Não há futuro sem autarquias! Não há futuro de prosperidade,
felicidade e segurança sem governação patriótica, visionária e com
sensibilidade humana! Não há futuro de dignidade quando o Governo não cuida das
crianças!
Até quando vamos continuar a fingir que não vemos ou não
entendemos os perigos que o PaÃs enfrenta? Até quando, Senhores Ministros? Até
quando, Senhores Deputados?
A quantos consultores o Governo vai pagar mais? Quantos
estudos teremos de fazer mais? Quantas viagens ao exterior ao custo de 1 milhão
de dólares por dia precisaremos de fazer mais, para concluir que a dÃvida
actual é insustentável e que estamos no caminho errado? Não será melhor
sentarmos à mesma mesa, debaixo da mulembeira todos unidos, para analisarmos
humildemente e em irmandade outras opções?
Angola é de todos nós; Angola não é de um Partido PolÃtico.
O ciclo vicioso da dÃvida insustentável para financiar
prioridades e escolhas erradas está a levar o PaÃs ao abismo. O futuro das
nossas crianças está ameaçado por este Orçamento. As famÃlias angolanas não vão
aguentar este Orçamento, as greves vão se multiplicar, o desespero vai fixar
residência em Angola e ninguém vai querer investir aqui.
Sabemos que as empresas estão numa situação delicada por
causa da inflação e dos juros altos que estão a pagar. Os salários perderam o
poder de compra, a situação fica agravada com o risco da instabilidade cambial
e do novo imposto mascarado de contribuição de 10% sobre o valor das
transferências de invisÃveis correntes para o exterior. Este Orçamento constitui, sem dúvida, um
factor de instabilidade, que deverÃamos evitar. Há outras opções que podemos
abraçar no quadro da cooperação institucional e da interdependência de funções
entre os Órgãos de Soberania.
Este Orçamento é perigoso, porque não se baseia na realidade
e a sua execução, como tem sido prática, não vai obedecer aos princÃpios da
transparência, da boa governação e da responsabilização, como impõe o artigo
104.º da Constituição da República. A sua fiscalização pela Assembleia Nacional
e pelo Tribunal de Contas também será obstruÃda, porque o Estado está capturado
e tem um poder que se sobrepõe aos demais poderes.
O Executivo apresenta a sua Proposta sabendo de antemão que
não vai respeitar os princÃpios, regras e procedimentos de execução orçamental,
contidos na Lei que nos pede para aprovar, na Lei da Contratação Pública e na
Lei da Probabilidade Pública, como tem sido hábito.
Este não é o Orçamento dos Angolanos. Este é o Orçamento da
DÃvida do Regime. Este é o Orçamento que permite mais peculato, mais corrupção
e menos responsabilização. Este é o Orçamento promotor das desigualdades e
assimetrias regionais. O Orçamento dos Angolanos, previsto no artigo 104.º da
Constituição, «apresenta a previsão de verbas a transferir para as autarquias
locais, nos termos da lei», e este Orçamento não contempla a repartição dos
recursos públicos entre o Estado e as autarquias. Contempla a repartição dos recursos de todos entre uns
poucos, entre os correligionários do Partido-Estado, amigos, colaboradores,
comentadores e bajuladores do regime. A maioria da Nação recebe migalhas:
Migalhas para merenda escolar, migalhas para agricultura
(0,7%), migalhas para educação e ensino (6,36%), migalhas para a saúde (5,5%),
migalhas para investigação cientifica e inovação.
Sem investimento massivo e estratégico na saúde, na educação
e ensino, na investigação cientifica e inovação não há futuro de
desenvolvimento sustentável para Angola. Sem investimento na agricultura, na
indústria e na merenda escolar não há segurança alimentar e futuro de
prosperidade e competitividade para Angola!
Angola precisa de uma liderança que tenha ambição de fazer o
sonho acontecer; uma liderança comprometida com o bem-estar do Povo, sobretudo
uma liderança capaz de realizar a esperança; uma liderança com autoridade
polÃtica e moral, que não se apega ao poder mesmo quando não tem legitimidade
nem capacidade para realizar o bem comum. Angola precisa de uma liderança
insuspeita de corrupção ou de violações da lei.
Os desvios ao erário e o peculato começam aqui, no acto de
aprovação formal deste Orçamento e concretizam-se na sua execução. Tudo passa
pelo OGE. As contratações directas com os monopólios dos amigos vão continuar.
As garantias soberanas do Estado para assegurar o financiamento público de
empreendimentos privados de empresas selecionadas já estão inseridas no OGE. No
final, os beneficiados do costume não pagam os empréstimos, os bancos que
emprestaram o dinheiro precisam ser recapitalizados e lá vem a verba novamente
no OGE, como está a acontecer agora com o BDA.
Este não é o Orçamento de que Angola precisa para sair da
crise. Porque todos sabemos que neste Orçamento as regras de execução que nos
pedem para aprovar não são as que vão ser seguidas na prática, quando se
fizerem as adjudicações directas, assinarem os contratos e emitirem as ordens
de saque.
A questão levantada recentemente pelo Tribunal de Contas
relativo aos sucessivos incumprimentos da Lei do OGE pelo Executivo continua
actual, por isso, nós Deputados, incumbidos de discutir e votar o Orçamento,
perguntamos:
a) Se os limites orçamentais de endividamento aprovados pela
Assembleia Nacional, não são respeitados pelo Executivo para que serve a
aprovação da Assembleia Nacional?
b) Se as regras e
princÃpios de execução orçamental aprovados pela Assembleia Nacional, não são
respeitados pelo Titular do Poder Executivo, para que serve a aprovação da
Assembleia Nacional?
c) Para que servem
as intervenções da Assembleia Nacional e do Tribunal de Contas se o Poder
Executivo se sente no direito de pisar a Constituição e não respeitar o Estado
Democrático de Direito?
O Orçamento deve estar ao serviço da prosperidade, da
felicidade e da dignidade das pessoas; o Orçamento deve estar ao serviço da
democracia, da liberdade e da Reconciliação Nacional; o Orçamento não pode
estar ao serviço da repressão, do medo, da coacção das liberdades, das prisões
de jovens que sonham viver em liberdade e com dignidade; o Orçamento não deve
estar mais ao serviço do Estado autocrático, da perseguição de adversários
polÃticos, activistas, jornalistas e cidadãos dignos; o Orçamento não deve
estar ao serviço da promoção do ódio, da exclusão, das desigualdades e da
injustiça.
Cada servidor público, Presidente da República, Deputado,
Juiz, Ministro, Governador, PCA ou outro deverá estar consciente que nenhum
poder na terra é eterno. O único poder eterno é de Deus!
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