O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que vai ser operado sexta-feira a uma anca, recebeu, ontem, o Primeiro-Ministro do Vietname, Pham Minh Chinh, e manifestou o interesse do Mercosul em negociar um acordo comercial com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
"É possível avançar para uma negociação na qual o Mercosul (bloco económico formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) está muito interessado”, disse Lula da Silva, citado pela CNN Brasil, ao lado do Primeiro-Ministro vietnamita.
A ASEAN é composta pela Birmânia (Myanmar), Brunei,
Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname.
Destes países, apenas Singapura já chegou a um acordo comercial com o Mercosul,
que anunciou, em meados do ano passado, a conclusão do pacto, actualmente em
processo de ratificação nos parlamentos correspondentes.
Segundo Lula da Silva, o que resta deste ano, período
em que o Brasil ocupa a presidência semestral do Mercosul, pode servir para
iniciar essas negociações, nas quais o líder vietnamita também manifestou interesse.
O Presidente brasileiro usou máscara facial por recomendação médica, já que no
final desta semana vai ser internado para uma cirurgia de correcção a um
problema na cabeça do fémur, que há meses lhe causa fortes dores.
Durante o encontro, os dois líderes também discutiram
as bases para uma maior cooperação entre Brasil e Vietname nas áreas da ciência
e tecnologia, educação, defesa e energias renováveis, entre outras. Em 2022, o
comércio bilateral entre os dois países atingiu 6,4 mil milhões de dólares (3,7
mil milhões de euros), quase 60% representado pelas exportações brasileiras,
compostas principalmente por carne suína e de frango, soja e algodão.
Transição energética
O Brasil está a acelerar o processo de transição
energética com a substituição consciente do petróleo por outras fontes de
energia mais limpas, disse o ontem ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São
Paulo. "Vamos parar de consumir petróleo, porque teremos outras fontes de
energia e isso nos permitirá acelerar a transição. O Brasil já está a fazer
isso no seu compromisso com a energia limpa”, disse Haddad, citado pelo O Globo
durante a abertura do seminário económico.
Para Haddad, a transição consciente da matriz
energética representa enormes vantagens para o Brasil, devido ao alto custo
desse processo em todas as partes do mundo, diferente do país sul-americano.
"Devemos parar de consumir petróleo e não por falta de petróleo. Porque
esse é o passo seguro para a transição energética no prazo correcto”, afirmou
Haddad.
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