Estados Unidos querem mais apoio para Ucrânia

 A abertura do Debate da 78.ª Assembleia-Geral da ONU ficou marcada por apelos ao reforço das acções a favor do clima, o combate às desigualdades e ao apoio à Ucrânia, tendo contado com a participação do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, do Presidentes do Brasil, Lula da Silva, dos Estados Unidos, Joe Biden, de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensk.

O Presidente dos Estados Unidos da América afirmou, terça-feira, ao dirigir-se à Assembleia-Geral das Nações Unidas, que a questão da guerra no Leste da Europa não tem a ver apenas com a Ucrânia, pois "o futuro de qualquer país está ameaçado”, enfatizou. Joe Biden que aflorou, também, as preocupações com o clima, a tecnologia e a situação social do mundo, não se prolongou no assunto da Ucrânia, tendo se limitado a esclarecer a situação.    

"A Rússia acredita que o mundo ficará cansado e permitirá que a Ucrânia seja brutalizada sem consequências. Mas pergunto-vos o seguinte: se abandonarmos os princípios fundamentais da Carta da ONU para apaziguar um agressor, algum Estado-membro pode sentir-se confiante de que está protegido”? A seguir, Biden alertou que "se permitirmos que a Ucrânia seja dividida, nenhuma nação estará segura”.

No entanto, assegurou que a Ucrânia vai continuar a contar com o apoio dos Estados Unidos e seus aliados. As palavras do Chefe de Estado norte-americano foram encaradas com atenção especial pelo homólogo ucraniano, que participou presencialmente pela primeira vez na sessão, após o ter feito de forma virtual na Assembleia-Geral do ano passado, pouco mais de seis meses do início da guerra.

Apelo ao combate às desigualdades

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, que abriu a sessão de discursos, após a intervenção do Secretário-Geral da ONU, manifestou a sua posição contra a pobreza e as desigualdades em todo o mundo. Porém, reforçou a posição do Brasil na luta a favor do ambiente. "Agir contra a mudança no clima implica pensar no amanhã e enfrentar as desigualdades históricas. Os países ricos cresceram baseados num modelo com alta taxa de emissão de gases danosos ao clima”, disse.

Referiu que são as populações vulneráveis do Sul Global as mais afectadas pelas perdas e danos causados pela mudança no clima. Os 10% mais ricos da população mundial são responsáveis por quase metade de todo o carbono lançado na atmosfera. Nós, países em desenvolvimento, não queremos repetir esse modelo”, enfatizou Lula.

Os discursos na Assembleia-Geral das Nações Unidas irão prolongar-se até ao próximo dia 26.

A Rússia, por sua vez, é representada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que deverá discursar na manhã de sábado.

A abertura do Debate Geral da 78.ª Assembleia-Geral ocorre num momento em que o Planeta é assolado por crises em várias frentes: conflitos globais como o da Ucrânia, os atrasos nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a crise climática, além das questões nucleares.

Segundo a imprensa internacional, citando analistas, a guerra na Ucrânia - tal como no ano passado – é destaque nos discursos oficiais, até por um dos protagonistas ser membro permanente do Conselho de Segurança, importante órgão da ONU cujo mandato é zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional, e que acabou por desencadear uma crise de confiança sobre as próprias Nações Unidas, como aconteceu com a guerras na Síria, Iraque, Líbia e no Afeganistão.

Os países em desenvolvimento vão aproveitar a sessão da Assembleia-Geral da ONU para concentrar a atenção internacional nos problemas internos, como o crescente peso da dívida, segundo vários analistas ouvidos pela Lusa.

Também as reformas das instituições financeiras internacionais e uma política de acção em matéria de assistência socioeconómica e sobre-endividamento vão ter prioridades reflectidas nos discursos dos países em desenvolvimento.

A Assembleia-Geral é o órgão onde os 193 Estados-membros da ONU se sentam em pé de igualdade e tem uma função exclusivamente representativa, uma vez que o verdadeiro poder é exercido pelo Conselho de Segurança, onde são membros permanentes os Estados Unidos, a China, a Rússia, o Reino Unido e a França, que têm o direito de veto.

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