A fraca aposta que se faz nos escalões de formações têm se reflectido no desempenho menos conseguido das selecções nacionais seniores de basquetebol, em ambas as classes, de acordo com o antigo capitão dos hendecacampeões africanos, Ângelo Monteiro dos Santos Victoriano.
A antigo estrela do 1º de Agosto, Petro de Luanda e Atlético Sport Aviação (ASA) teceu estas considerações sexta-feira última, durante a cerimónia de homenagem promovida pelo Ministério da Juventude e Desportos, pelo facto de ter sido eternizado no "Passeio da Fama" da Fiba-Mundo, a 23 de Agosto em Manila, capital das Filipinas.
"Infelizmente, existe em Angola fraca aposta nos
escalões de formação e, se não mudarmos o quadro rapidamente, vamos continuar a
acolher insucessos atrás de insucessos", alertou o jogador mais titulado
de África e do Mundo.
Por isso, urge a necessidade de se trabalhar cada vez
mais e melhor na formação, para que Angola volte a conquistar o seu espaço,
quer no continente africano, quer a nível mundial.
"O professor Victorino Cunha e o malogrado
treinador Wlademiro Romero fizeram um extraordinário trabalho, razão pela qual,
Angola dominou por largos anos o continente africano e mostrou esta qualidade
de jogo nas Copas do Mundo e Jogos Olímpicos. Nós, só temos uma saída:
trabalhar e trabalhar cada vez mais e mais, porque de contrário seremos
completamente ultrapassados".
Ângelo Monteiro dos Santos Victoriano que arrebatou
oito medalhas de ouro ao serviço da Selecção Nacional sénior masculina, para
além das medalhas a nível dos juniores, relembrou que o continente africano
hoje fornece cinco selecções para a fase final das Copas do Mundo, em virtude
das extraordinárias participações de Angola nos eventos internacionais.
"Atenção que os angolanos trabalharam muito para
que o basquetebol africano aumentasse a sua cotação em Copas do Mundo. Por
isso, vamos resgatar o que de bom fazíamos no passado".
Questionado sobre a "pouca" atenção que se
dá actualmente aos treinadores que trabalham na formação, onde na maior parte
dos casos são mal remunerados, o antigo extremo poste do cinco nacional afirmou
"que é uma falsa questão".
"Em Angola o que eu saiba, os treinadores que
trabalham com os escalões de formação sempre ganharam menos do que os técnicos
das equipas de seniores. Acho que tem faltado algum comprometimento dos
treinadores que trabalham com a base", disse.
Em face disso, são poucos os jogadores que atingem a
equipa de seniores, com qualidades acima da média.
"Hoje, agente quase não vê jogadores que atingem
o escalão de seniores com qualidades acima da média. No passado isto acontecia.
A título de exemplo eu quando atinge a selecção sénior ainda tinha idade de
juniores. Subimos seis atletas e todos nós, conseguimos se impor na Selecção
Nacional A, coisa que lamentavelmente, não vejo nos dias de hoje",
desabafou Ângelo Monteiro dos Santos Victoriano.
Capitão lamenta fracasso do Mundial
Ainda na ressaca do que foi a prestação fracassada da
Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol na 19ª edição da Copa do Mundo,
o nosso entrevistado garantiu que Angola perdeu uma soberana oportunidade para
mais uma vez, fazer história em provas do género.
"Angola perdeu uma soberana oportunidade para
mais uma vez, fazer história em Copas do Mundo. Se tivéssemos sido mais agressivos
na defesa, coisa que não conseguimos fazer, teríamos terminado em primeiro
lugar no grupo, porque tivemos esta oportunidade", disse.
Para Ângelo Monteiro dos Santos Victoriano a Selecção
Nacional defendeu mal durante a Copa do Mundo da Ásia.
"Honestamente falando, a Selecção Nacional não
defendeu rigorosamente nada. E, como sabe, a defesa foi sempre a nossa divisa.
E, apreendemos isso, nos escalões de formação. Primeiro defender, porque se tu
defendes bem o teu adversário não marca e mesmo que no ataque não estejas bem,
vais conseguir levar o jogo até ao final".
O antigo capitão dos hendecacampões africanos esteve
em Manila, capital das Filipinas, onde foi eternizado no "Passeio da
Fama" da Fiba-Mundo.

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