Activistas e membros
da sociedade civil angolana convocaram para 17 de junho para uma manifestação
nacional para protestar contra a subida dos preços do combustível, o fim da
venda ambulante e a proposta de lei das ONGs.
Os temas, sobretudo o aumento da gasolina devido à retirada
parcial das subvenções aos combustíveis, têm suscitado, nos últimos dias,
protestos e confrontos com a polícia em várias províncias angolanas, que
resultaram em pelo menossete mortos e dezenas de feridos e detidos.
Um manifesto que está a ser divulgado na página de
Facebook da organização cívica Mudei apela à “solidariedade social” e à
cidadania sob a forma de ações coletivas para combater as “injustiças” que
consideram estar a afetar várias classes.
“As zungueiras [vendedoras ambulantes] estão impedidas de
zungar, os taxistas não receberam a isenção anunciada ao aumento do preço da
gasolina (o que terá efeitos na vida de todos nós), os professores e os médicos
continuam sem ter resposta às suas reivindicações de muitos anos, os
profissionais da comunicação social sofrem censura e outros tipos de pressão,
os trabalhadores vão ser impedidos de exercitar o seu direito à greve e mesmo
os polícias e agentes da autoridade recebem ordens que os colocam entre a
espada e a parede, obrigados a violar o seu juramento de defender a legalidade e
a democracia, por medo de perderem os empregos”, lê-se no manifesto.
A mesma nota destaca a “crise humanitária à escala
nacional” apontando a “omissão” do Estado angolano “que recorre à repressão e à
violação explícita de direitos fundamentais quando as vozes cidadãs se fazem
ouvir”.
Em causa está também o novo regulamento das Organizações Não
Governamentais (ONG) que “para além de inconstitucional, vai reprimir, asfixiar
e, eventualmente, extinguir as múltiplas organizações cívicas que, em Angola,
trabalham onde o executivo se demite das suas responsabilidades e obrigações”,
refere.
“Na falta de Estado, sejamos sociedade: vamos à luta por
todas e por todos, nas ruas, com buzinas, com cartazes, com música, com paz,
mas firmes na defesa dos nossos direitos”, apela o manifesto. O apelo tem
estado também a ser divulgado pelo ativista Gangsta, que tem partilhado
ativamente nas suas redes sociais a convocatória, pedindo o envolvimento de
todo,
Dito Dali é outro dos activistas conhecidos que partilhou o cartaz
da “convocação geral” que fala em “32 milhões de angolanos na rua” para “travar
os abusos de João Lourenço”.

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