Atrasos com receitas fiscais podem continuar a retardar salários na função pública em Angola

 Atrasos na recepção das
receitas fiscais podem retardar o pagamento de salários na função pública em
Angola, admite o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima
Massano, enquanto trabalhadores avisam que ninguém está preparado para uma
situação semelhante à que se viveu em Maio.




Na primeira declaração após a pressão feita por vários sindicatos, na última
semana, em Benguela, o governante revelou que existe desfasamento entre o
momento da recepção de fundos e a altura dos pagamentos, assinalando que as
autoridades procuram corrigir tais desequilíbrios.


Não existem garantias de que a função pública em Angola, com mais de 800
mil trabalhadores inscritos, não volte a registar atrasos no pagamento de salários.

 É o essencial da declaração do ex-governador do Banco Nacional de Angola (BNA)
e agora ministro Estado para a Coordenação Económica, que endereçou um pedido
de desculpas às famílias angolanas na hora da justificação do último atraso.

“Temos um certo desfasamento
entre a altura de recepção de fundos resultantes da arrecadação fiscal e o
momento em que os pagamentos são efectuados. Em alguns meses vamos tendo
desfasamento, foi o que essencialmente acabou por acontecer, condicionando o
pagamento dos salários. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para pedir
desculpas pelos transtornos e dizer que tudo estamos a fazer para que estas
situações desapareçam”,
afirmou o ministro de Estado.

Funcionários públicos que estiveram na manifestação contra o aumento do preço
da gasolina e os reflexos sociais disseram à Voz da América que os atrasos com
o kwanza em depreciação vão complicar a vida das famílias.





Os professores Cassinda Siliveli, secretário municipal da Unita, e Justino
Ngando alertam para o aumento dos produtos da cesta básica.


“É um outro barulho, estamos
num país onde a cesta básica dispara de forma descarada, o Governo não dialoga.
Portanto, não estou preparado para mais atrasos [salários], se eles atrasarem …
então que digam ao povo que ‘desconseguimos’ o país , vamos mudar
”, diz Siliveli.





Ngando,
professor e activista, acrescenta que “ninguém está preparado, nós, na verdade,
já nunca tivemos poder de compra, em Benguela, por exemplo, o lixo desapareceu
porque não estamos a comprar nada”.






Funcionários públicos falaram da situação do país à margem de uma manifestação que
acabou com mais de 50 detenções e 20 motorizadas apreendidas.


Três activistas foram a julgamento sumário nesta segunda-feira, 19, ao
passo que a maior parte dos detidos deixou já a esquadra policial.






O Comando Provincial da Polícia fala em desacato e os activistas queixam-se de
carga policial.

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