Angola conseguiu imunizar, durante uma
campanha realizada no ano passado, cerca de 2,5 milhões de crianças menores de
cinco anos com as vacinas da Pólio, Sarampo e a administração da Vitamina A,
tendo, com isso, atingido uma cobertura administrativa próxima de 90 por cento.
A informação foi avançada, ontem, em
Madrid, capital espanhola, pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante a
participação no encontro de avaliação de médio termo da Conferência Global da
Gavi sobre o impacto das vacinas no mundo, que se subordinou ao lema
"Construir a África de amanhã: Saúde, Prosperidade e Igualdade de
Oportunidades”.
A ministra da Saúde, que falava num painel que contou
com a presença do homólogo da República Centro Africana, do director-geral da
África CDC, do CEO da ABT Associates, CEO da Commons Project e do
vice-presidente da Humanitarian and Development, Mastercard Inc, fez saber que,
no quadro destas acções, o país conseguiu proteger, também, cerca de 600 mil
cidadãos contra a pandemia da Covid-19.
Sílvia Lutucuta deu a conhecer que o alcance deste
desiderato resultou da combinação feita entre as plataformas digitais Iota e
Rediv, que permitiram a implementação, "bem sucedida”, da campanha
nacional de vacinação contra aquelas doenças, que contou com a integração da vacinação
da Covid-19.
Tal como em muitos países, a ministra da Saúde disse
que Angola enfrentou, igualmente, vários desafios durante e pós-pandemia da
Covid-19, tendo destacado, entre eles, os efeitos sistémicos nas estruturas
sociais e económicas, com um impacto imensurável sobre o qual, como avançou, o
país não estava, devidamente, preparado. Disse que esses constrangimentos
afectaram, também, os programas de Saúde Pública, em especial o de vacinação de
rotina, que disse ser um pilar muito importante para a prevenção de doenças.
"Com isto, tivemos uma baixa nas coberturas vacinais, tal como aconteceu
em todo o mundo”, realçou.
Com vista a dar a volta a esta situação, Sílvia
Lutucuta disse que o país começou a implementar, desde 2022, um conjunto de
acções viradas para a recuperação das coberturas de vacinação, nomeadamente, a
introdução da vacina da Covid-19, no início de 2022, no programa de vacinação
de rotina.
Na sequência, a titular da pasta da Saúde referiu que,
em 2023, se deu início ao programa MICS, para a recuperação de "Crianças
Zero- Doses” em 22 municípios, que registaram uma cobertura vacinal baixa,
atingindo cerca de 60 por cento. "Nós estamos, por essa altura, a fazer
esta intensificação da vacinação. Já nos recuperamos bastante e temos um apoio
muito importante da Gavi”, destacou.
Sílvia Lutucuta frisou que, no meio das dificuldades,
o país descobriu oportunidades que contribuíram para o melhoramento da gestão
da pandemia da Covid-19 e da campanha de vacinação.
Ressaltou que o país iniciou, em Março de 2021, a
implementar o Plano Nacional de Vacinação Contra a Covid-19, bem como a
reforçar e ampliar a cadeia de frio.
Para melhor gerir a vacinação contra a Covid-19, disse
ter sido desenvolvido, de raiz, um sistema inovador para o pré-registo e o
registo digital nominal dos cidadãos, denominado REDIV, que, segundo fez saber,
permitiu monitorizar e gerir, de forma integrada, a informação logística e a
administração da vacina.
"Temos registado digital e nominalmente, no
REDIV, mais de 17,5 milhões de pessoas com mais de 12 anos”, revelou a ministra
da Saúde, para quem a pandemia realçou a importância do investimento nas
infra-estruturas digitais e na adopção de novas tecnologias em Angola. Sílvia
Lutucuta disse que este registo começou logo no início da implementação do
plano de vacinação e, durante a pandemia, permitiu controlar, em tempo real,
mais de 1. 700 postos de vacinação, incluindo os de alto rendimento, equipas
avançadas e móveis, algumas delas a funcionar em modo offline.
No quadro dessas inovações, a ministra da Saúde
ressaltou que a plataforma de logística digital de gestão de vacinas de rotina,
a Iota, foi alargada a todo o país, com a inclusão das vacinas contra a
Covid-19, que permitiu gerir, de forma digital e em tempo real, toda a cadeia logística
de vacina contra aquela pandemia e da vacina de rotina.
"Continuar este sucesso e esta dinâmica inovadora
e de crescimento é o nosso grande desafio e, para isso, temos a certeza de que
vamos continuar a contar com o apoio dos diversos parceiros, como a Gavi, o
Banco Mundial, OMS, Unicef, USAID, CDC e muitos outros”, salientou.
Sílvia Lutucuta disse acreditar que esta experiência
vai levar o país a promover uma maior qualidade, equidade, acesso, capacidade
de planeamento, monitorização e avaliação de toda a cadeia de valor dos
produtos, colocando, deste modo, as pessoas no centro das actuações.
"Angola está numa fase de consolidar, crescer e inovar”, concluiu.
País prepara condições para
iniciar uma nova campanha de vacinação
A directora nacional de Saúde Pública,
Helga Freitas, informou que a campanha que levou o país a atingir o resultado
de 2,5 milhões de crianças vacinadas aconteceu no ano passado e foi realizada
em duas fases, sendo a primeira em Junho e a segunda em Agosto.
Helga Freitas deu a conhecer que estão a ser criadas,
neste momento, condições para o início de uma próxima campanha de vacinação,
por causa, sobretudo, dos surtos existentes nos países fronteiriços, como é o
caso, por exemplo, da República Democrática do Congo, onde disse ter sido
registado um caso de poliomielite. "Face a este quadro, não podemos deixar
de manter estas campanhas, mas, por outro lado, temos que reforçar a vacinação
de rotina, que, para nós, é muito importante”, destacou.


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