Um caderno reivindicativo, com 14 pontos, foi entregue aos Conselhos de Administração das empresas de comunicação social estatal e ao ministro de tutela, Mário Oliveira, no mês de Abril deste ano, mas até ao momento não foram atendidos.
Recentemente, Oliveira, informou ao Sindicato dos
Jornalistas Angolanos que no mês de Agosto os salários seriam ajustados até
58%, o que não veio a acontecer.
Por esta razão, está convocada uma Assembleia Geral
para o dia 02 do mês de setembro que pode declarar a paralisação da TPA, RNA,
JA, Angop assim como órgãos pertencentes a Mídia Nova.
Em conferência de imprensa, no Saurimo, o Presidente
da República, João Lourenço, não comentou a questão levantada pela Rádio
Ecclésia, devolvendo-a ao ministro Mário Oliveira. Mas, de lá para cá,
Oliveira, não prestou qualquer esclarecimento público, nem ao Sindicato dos
Jornalistas Angolanos, tal como referiu Pedro Miguel, secretário-geral do
Sindicato dos Jornalistas Angolanos, em entrevista a O Decreto.
Os trabalhadores das empresas públicas de comunicação
social, ou sob controlo do Estado, exigem: “a progressão na carreira, no quadro
da implementação dos qualificadores ocupacionais, e a actualização salarial
numa percentagem não inferior a 100 por cento. O cumprimento obrigatório das
regras de progressão na carreira, que constam dos qualificadores ocupacionais e
dos respectivos regulamentos”.
O caderno exige ainda o pagamento das ajudas de custo
aos jornalistas e outros profissionais, nas deslocações ao interior, de acordo
com o estabelecido na lei: “que as empresas assumam as despesas totais de
alojamento e outras, em caso de transferência do trabalhador para outra
localidade, de acordo com o estabelecido na Lei Geral do Trabalho”.
“Implementação de subsídios de transporte,
alimentação, turno, risco e disponibilidade, ali onde não existam, e sua
actualização onde existam.”
“Aquisição de mais meios de transporte para apoio às
equipas de reportagem a nível nacional. Atribuição de meios de trabalho a todos
os trabalhadores. Que as empresas não obriguem os jornalistas e outros
profissionais a viajarem em viaturas das fontes.”
Outra exigência é o cumprimento da Lei 5/17, de 23 de
Janeiro, Lei do Estatuto do Jornalista, na contratação de jornalistas, assim
como a realização de concursos públicos na contratação de qualquer trabalhador.
“Que o Sindicato dos Jornalistas seja informado sobre
os processos de contratação de novos trabalhadores. Que o Sindicato dos
Jornalistas tenha acesso aos relatórios de contas. Que o Sindicato dos
Jornalistas tenha acesso aos mapas salariais. Inclusão de um membro do
Sindicato dos Jornalistas nos Conselhos Fiscais.”
A possível greve na imprensa pública pode mergulhar
Angola no silêncio e expor a dependência dos jornalistas dos órgãos estatais.
Reféns de salários baixos e ameaças políticas, os profissionais enfrentam uma
encruzilhada.
A crise de salários nas empresas de comunicação chega
até aos órgãos privados que, segundo o SJA, chegam a pagar apenas 33 mil
kwanzas a um jornalista.
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