O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, classificou recentemente, aquando da saída da audiência com o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé – CEAST, que as palavras do seu homólogo Abel Epalanga Chivukuvuku como absurdas. Defendendo o trabalho da oposição, Costa Júnior sublinhou que as críticas não contribuem para a união necessária para o actual contexto político do país.
Depois da audiência concedida pelo presidente da CEAST, dom
José Manuel Imbamba, em Luanda, à imprensa, Adalberto salientou que as
sociedades democráticas constroem-se com pluralidade e com sentido ético-moral,
em reacção às recentes declarações de Abel Chivukuvuku, durante o discurso de
encerramento do I Congresso Constitutivo do novo partido político PRA-JA Servir
Angola do qual foi eleito primeiro presidente com 661 votos, e apenas 11 do seu
oponente, Francisco Mateus Kanga, que não aceitou a vitória de Abel, denunciou
ter havido fraude no conclave, num universo de 672 votos válidos.
“Como angolanos, isso é um absurdo, como é óbvio! Eu penso
que as sociedades democráticas constroem-se com pluralidade e, dentro da
pluralidade, com sentido ético. E, portanto, dentro de um quadro ético-moral”,
considerou.
Segundo o líder dos maninhos, “a história de Angola existe, a
participação dos partidos também. Impensável é, eu pensar que só existe o meu
partido e, portanto, só eu é que sou importante. Não é por esse caminho. E nós
temos efectivamente a necessidade de sermos exemplos de inclusão, exemplo de
convivência, exemplo de diálogo, exemplo de pluralidade. E, portanto, eu penso
que neste género de circunstâncias, um cidadão também pode fazer fiscalização”,
afirmou ACJ, reagindo às declarações do seu homólogo, Abel Chivukuvuku que
criticou o desempenho dos partidos na oposição angolana questionando o que já
fizeram desde o tempo que lá se encontram.
Salientar que o presidente do PRA-JA Servir Angola, Abel
Chivukuvuku, disse, quarta-feira, 21, que recebeu a responsabilidade do
Congresso para preparar o partido para a necessidade de poder avançar para as
eleições gerais de 2027 sozinhos, tendo em conta a participação do partido na
Frente Patriótica Unida – FPU. Chivukuvuku afirmou que percebeu ter sido um dos
grandes problemas na reunião da Comissão Política, mas exortou-os a não temerem
nem invejarem o PRA-JA.
“Uma palavra aos nossos irmãos dos partidos da oposição – não
tenham medo do PRA-JA! Não tenham inveja do PRA-JA! Nós somos os candengues do
ponto de vista legal institucional da política angolana, eles são mais velhos!”
“Estão lá há muito tempo, mas fizeram o quê? Agora, nós façamos trabalho! Mas,
estamos abertos para as concertações. Eu percebi que, na Comissão Política, que
reuniram ontem e hoje, um dos grandes problemas foi a FPU. Vamos nos atrapalhar
com a FPU por quê?”, indagou Chivukuvuku ao confirmar que recebeu o mandato e a
responsabilidade do Congresso para preparar o partido para a “necessidade de
poder ter que avançar para as eleições sozinhos, mas, também, com a
possibilidade de fazermos concertações” com outras forças políticas.
Recordar-se que Abel Chivukuvuku foi eleito na última
segunda-feira, 19, como primeiro presidente do PRA-JA Servir Angola, coroando
um longo percurso de resistência e mobilização política iniciado há mais de
seis anos.
A escolha de Abel ocorreu durante o Congresso constitutivo do
partido, realizado numa das unidades hoteleiras de Luanda, do qual obteve uma
vitória esmagadora com 661 votos, contra apenas 11 do seu oponente, Francisco
Mateus Kanga, num universo de 672 votos válidos.
O conclave, que marcou a formalização da mais recente força
política do país, contou com a presença de cerca de 700 delegados oriundos das
21 províncias do país, além de convidados nacionais e internacionais, entre
eles representantes de partidos políticos, do corpo diplomático, autoridades
tradicionais e membros da sociedade civil.
CONGRESSO FRAUDULENTO?!
Por outro lado, o candidato derrotado do congresso
constitutivo do Pra-Ja, Francisco Mateus Kanga, não aceitou a vitória de Abel
Chivukuvuku, por considerar que, durante o acto, ter havido inúmeras
irregularidades por conta da suposta exclusão de delegados do seu pelouro ao
recinto do conclave.
“Fomos coartados da conferência. Afastados, excluídos da
conferência provincial de Luanda. Portanto, isto é que está a acontecer no
PRA-JA. isso é a realidade. Mano Abel vai fazer festa, mas enfim. Que me venham
provar o contrário!”, desafiou.
“Acusaram o meu vice-presidente porque não está a militar há
dois meses. Isso é uma clara mentira. Isso é falso! Com as tantas
irregularidades que eu acabo aqui de contar, é sinal claro de que algo está mal
porque em processos democráticos, limpos com lisura, isto não se admite”,
considerou Mateus em declarações à imprensa que os seus delegados foram
proibidos de participar das conferências provinciais e de exercerem o direito
de voto.
“os meus dois vices, não votaram. O meu porta-voz, não votou.
O meu mandatário, não votou. Todos aqueles que me apoiaram nas províncias foram
escorraçados, ameaçados e nem vieram para Luanda. Os de Luanda, todos aqueles
que foram identificados com o meu nome, também não foram permitidos a serem
delegados nas conferências provinciais”, denunciou.
Apesar das irregularidades, Francisco Mateus Kanga considerou
o congresso constitutivo que facilitou apenas um candidato como vicioso e ruim,
porque não dignifica a honra, o bom nome e a categoria de Abel, garantiu que
não vai impugnar o congresso o acto por motivos que, segundo afirma, o povo não
vai compreender as razões da sua luta.
“Porque quero continuar a semear a semente da democracia
interna no Pra-Ja Servir Angola. E, se eu impugnar, claramente que as pessoas
não vão compreender por que é que eu impugnei. Quais são as razões da minha
luta, quais são as razões da minha peleja. Logo, não vejo muita energia de
poder impugnar este congresso.”
Entretanto, Francisco Mateus Kanga garante que quer dar
sequência semeando e transmitindo a mensagem da democracia interna – “mas deixo
aqui claro que, em 2030, não vamos admitir mais isto. E não vai ser mais deste
jeito, porque vai ser um congresso electivo”, alertou.
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