A UNITA (oposição) acusou hoje a presidente do parlamento angolano de “obstruir a ação fiscalizadora" daquele órgão e considerou que o inquérito aos seus deputados tem orientação política e visa intimidar e coagi-los na sua missão de fiscalização.
“Este inquérito teve orientação
política e visa intimidar e coagir os deputados da sua missão fiscalizadora aos
atos do Governo”, afirmou o presidente do grupo parlamentar da União Nacional
para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição),
Liberty Chiyaka.
Falando em conferência de imprensa, sobre um inquérito instaurado aos cinco
deputados do seu grupo parlamentar, por constatarem o funcionamento da Morgue
Central de Luanda e do Hospital Geral do Huambo, o político contestou a medida,
admitindo “motivações políticas” nesta decisão.
“A fiscalização [parlamentar] é uma forma democrática, sem violência (…).
Não há bases para sancionar os deputados, porque estes não cometeram qualquer
infração”, referiu, salientando que o direito de fiscalizar não pode ser negado
aos deputados, “independentemente do controle da maioria parlamentar”.
Pelo menos cinco deputados da UNITA estão sob inquérito parlamentar pelo
facto de terem efetuado, recentemente, visitas à Morgue Central de Luanda,
“onde constataram o estado deplorável de conservação de cadáveres”, e ao
Hospital Geral do Huambo, recordou o político.
A visita aconteceu em meados de abril e motivou críticas por parte da
Assembleia Nacional que acusou os deputados da UNITA de se aproveitarem da
"aflição dos familiares" para filmar e divulgar imagens "que
atentam contra a civilidade e as normas que regem o exercício da função parlamentar"
com "fins inconfessos".
Face "ao recorrente comportamento reprovável do ponto de vista ético e
moral, a comissão competente da Assembleia Nacional encarregue das matérias de
Ética e Decoro Parlamentar foi já instruída a apurar as razões que motivam tal
comportamento", anunciou na altura o parlamento, num comunicado assinado
pela direção de comunicação institucional.
Chiyaka, que abordou também as competências de controlo e fiscalização da
Assembleia Nacional, lamentou que a presidente do parlamento angolano, Carolina
Cerqueira, não tenha atendido a solicitações da UNITA para a realização de 16
audições parlamentares aos membros do Governo, passados mais de 100 dias.
“Já se passaram mais de 100 dias e a senhora presidente da Assembleia
Nacional não se dignou em viabilizar a realização das audições solicitadas”,
disse, considerando que Carolina Cerqueira “não pode bloquear e nem dificultar
o exercício do poder potestativo dos deputados”.
De acordo com o deputado da UNITA, a presidente do parlamento “tem
obstruído, reiterada e ostensivamente, o direito de o deputado desempenhar as
funções de controlo e fiscalização salvaguardados pela Constituição”.
Sublinhando que os deputados e respetivos grupos parlamentares são
autónomos, assegurou que o seu partido vai lutar contra qualquer ato que
obstrua o livre exercício das funções dos órgãos de soberania.
Segundo Liberty Chiyaka, a UNITA remeteu, desde o início do ano, vários
pedidos de audições parlamentares com caráter de urgência aos membros do
executivo angolano, sobretudo sobre segurança pública, saúde, finanças, mas não
obteve qualquer resposta.
Para o presidente do grupo parlamentar da UNITA, a presidente da Assembleia
Nacional “tem agido como um fator de bloqueio na fiscalização dos atos da
gestão do titular do poder executivo por parte dos deputados do povo”.
“E ninguém tem dúvidas, igualmente, que esta atitude de bloqueio configura
uma ostensiva violação da Constituição, que atenta gravemente contra o regular
funcionamento das instituições, neste caso, da Assembleia Nacional”, criticou.
0 Comentários