O líder da UNITA, maior partido da oposição em Angola, considerou hoje "crispado" o ambiente político no país, salientando que, se decidir convocar manifestações, tal “será exclusiva responsabilidade de quem virou as costas ao diálogo”.
Adalberto Costa Júnior, que discursava na abertura da reunião da Comissão
Política da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA),
realçou que este partido procura cumprir com o seu dever “de uma oposição
responsável e democrática”.
“E amanhã se avançar para a pressão pública, se avançar para as
manifestações, parte consciente de tudo ter feito, pela via do diálogo, para o
evitar”, frisou.
Segundo o líder da UNITA, a segunda maior força política angolana está
empenhada na busca de soluções “da actual crise” que afecta Angola, “e para a
qual o Executivo não tem sido capaz de vislumbrar caminhos apropriados”.
“Estamos convencidos de que é pelo diálogo abrangente e desinteressado,
envolvendo todas as sensibilidades da nossa sociedade, que devem ser
encontradas soluções cabíveis. Foi na busca deste diálogo institucional que
tomamos a iniciativa de solicitar audiência ao Presidente da República”,
destacou.
O líder da UNITA foi recebido no Palácio Presidencial pelo Presidente João
Lourenço no dia 13 de maio, três anos após o último encontro entre os dois.
De acordo com Adalberto Costa Júnior, a UNITA tem procurado alertar “para o
evidente descarrilamento” do processo democrático, apelando para a necessidade
de “consenso na aprovação do pacote legislativo eleitoral, perante a tentação
de serem impostas ao país leis que não garantem nem lisura nem transparência
dos processos eleitorais”.
A solução são as reformas “que todos pedem e todos esperam”, apontou o
presidente da UNITA, afirmando que o partido está preparado “para responder à
esperança dos angolanos”, mas deve haver união de todos.
“A UNITA e os parceiros da Frente Patriótica Unida sentem a nobre missão de
continuar a procurar a ampla frente para a alternância, para realizar Angola”,
disse, sem se pronunciar sobre a saída do PRA-JÁ Servir Angola, partido que
integrava a frente da oposição angolana com o Bloco Democrático.
O PRA-JÁ Servir Angola, que integrava a Frente Patriótica Unida (FPU) com a
UNITA e o Bloco Democrático (BD), acusou os dois partidos de o afastarem da
plataforma da oposição angolana, acrescentando que há “vontade explícita de
assassinato do caráter e da personalidade” do líder do partido, Abel
Chivukuvuku.
Sobre a situação social e económica do país, Adalberto Costa Júnior frisou
que se agravaram “os níveis de indigência” em Angola, bem como se regista um
aumento do “número de angolanos que recorrem aos contentores de lixo”, o
desemprego “continua em alta” e os empresários sem apoio do Governo para as
suas ações.
Adalberto Costa Júnior disse aos membros da Comissão Política que o grupo
parlamentar realizou em Cabinda as suas jornadas parlamentares e contactou os
mais variados estratos da sociedade daquela província petrolífera, dos quais
“acolheu subsídios relevantes e recebeu aprovação do seu Projecto de Lei das
Autarquias Supramunicipal para Cabinda”, que tem como objectivo atribuir-lhe
autonomia política e administrativa.
“Estamos perante uma iniciativa louvável, que tem como fim último a solução
por via pacífica da situação de conflito em Cabinda. É a contribuição da UNITA
para este desiderato”, sublinhou.
Nesta reunião, que antecede a convocação do XIV congresso ordinário do
partido, que deverá ocorrer dentro dos próximos seis meses, o líder da UNITA
manifestou solidariedade às famílias das “mais de 600 vias mortais da epidemia
da cólera”, que assola o país desde janeiro deste ano, “sem que as autoridades
competentes consigam travar a expansão deste mal pelo país”.
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