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ABEL CHIVUKUVUKU E O PRA-JÁ: Entra e Sai da FPU, Versão 2.0 – O Jogo da Cadeira Política - Denílson Duro

Pois é, meus caros, Abel Chivukuvuku, aquele eterno visionário da política angolana, decidiu mais uma vez mostrar-nos o verdadeiro sentido da palavra “coerência”... claro, no dicionário da política de ocasião. Depois de entrar na Frente Patriótica Unida (FPU) com pompa, discursos inflamados e promessas de “mudança histórica”, eis que, como quem troca de camisa (ou de coligação), anuncia a sua gloriosa saída. Bravo, Abel! Uma verdadeira aula de como entrar e sair de projectos políticos como se fossem táxis mal parados na Mutamba.

Aparentemente, o PRA-JÁ foi vítima – segundo o próprio líder – de “muito sofrimento” dentro da FPU. Sofrimento esse, convenhamos, que não impediu os flashes, as palmas e os discursos com pose de salvador da pátria. Mas agora, num momento de renovada iluminação política, Abel percebe que é melhor seguir “sozinho” – claro, sempre disposto a conversar se houver regras. Regras estas que, curiosamente, só parecem importar quando o jogo já não favorece o seu lado.

É fascinante assistir à flexibilidade do PRA-JÁ, um partido que, ao que tudo indica, se move mais por correntes de vento político do que por convicções ideológicas. Nas últimas eleições, a entrada na FPU foi claramente uma jogada de sobrevivência e de manutenção da reputação. Afinal, quando se perde terreno próprio, é sempre mais conveniente colar-se a outros para parecer maior. Agora, com os olhos em 2027 e quem sabe uma nova oportunidade de ser protagonista de palco (nem que seja na primeira fila do auditório), a saída estratégica é anunciada como se fosse um gesto de autonomia política. Que ousadia!

Mas não sejamos injustos. Abel é, acima de tudo, um mestre da arte da resiliência teatral: entra no palco, faz o seu número, lança promessas grandiosas, faz um exit dramático e deixa o público na expectativa do próximo acto. E nós, o povo, vamos assistindo ao espetáculo... porque política, em certos palcos, não é feita com ideais, é feita com ensaios – e muitos replays.

Ficamos agora a aguardar a nova encenação de 2027: Abel “a solo”, talvez com uma nova coligação “com regras”, ou quem sabe, de regresso triunfal à FPU versão reciclada. Porque se há algo garantido na política do PRA-JÁ, é que nada é definitivo – excepto a busca incessante por palco.

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