Ah, a “democracia orgânica”! Esse conceito brilhante que, como um sopro de ar fresco, promete transformar os partidos tradicionais como o MPLA, UNITA e outros em modelos perfeitos de participação e liderança inquestionável. Claro, porque nada diz "futuro" como reviver práticas políticas do século passado e chamá-las de modernas. Imagine só, a maravilhosa ideia de uma liderança incontestável, onde os líderes são praticamente imortais e a sua palavra é a única que importa. Deve ser uma experiência reveladora, não é? Aquele toque de “democracia” onde as opiniões divergentes são mais uma formalidade do que uma verdadeira ameaça à autoridade do grande líder, que, claro, tem a visão divina de tudo o que é melhor para o país. Faltava apenas incluir uma bênção celestial na Constituição.
Agora, as nomeações para cargos de governo... Uma maravilha, não? Quem não adoraria ver um ministério formado por uma mistura de amigos, familiares e aqueles “competentes” que, não importa o quê, sempre têm a resposta pronta para qualquer crise política ou económica? E as manifestações contrárias? Ah, claro! Porque nada diz “transparência” como a grande revolução de questionar a escolha de pessoas altamente preparadas para cargos públicos. E quem mais poderia ser mais competente do que aqueles que foram nomeados com base na sua lealdade ao partido? A geração Z, então, com o seu amor por currículos recheados de diplomas e especializações, vai, sem dúvida, abraçar as nomeações por amizade, com muito entusiasmo e respeito.
E quando falamos de João Lourenço, o "último dos moicanos", a
verdadeira cereja do bolo. O homem que terá a honra de ver o seu discurso de
"vamos serrar fileiras ao nosso líder" como um relicário de um tempo
longínquo, onde a juventude se entusiasmava com tais palavras. Afinal, quem não
ama um bom discurso sobre “unidade” e “força”, desde que, claro, a unidade
signifique alinhar-se à opinião única do grande líder? Quando a geração Z
finalmente tomar as rédeas, João Lourenço vai ter que lidar com um novo tipo de
“serrar fileiras”. Quem sabe um pouco mais comedida, talvez até com um toque de
ironia? Em vez de “serrar fileiras ao nosso líder”, será algo mais como “e quem
vai liderar quando todos perceberem que o líder é apenas mais um ser humano,
falível e, infelizmente, insubstituível?”
A ideia de uma liderança sem oposição, sem questionamento, sem críticas?
Ah, certamente, isso está com os dias contados. A geração Z está aí, cheia de
soluções rápidas e críticas afiadas, e, sem dúvida, a sua tolerância para com a
"democracia orgânica" será de deixar qualquer um espantado. Digo
mais, quem sabe daqui a uns anos, quando os filhos dessa geração chegarem ao
poder, o próprio conceito de liderança incontestável será estudado em livros de
história, como uma época em que os líderes foram realmente imbatíveis... pelo
menos até à próxima eleição, claro.
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