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Barricada, bafometro e o esquadrão do sopro! - Denilson Duro

Ah, Angola! Terra de mar, sol e… barricadas policiais. Mas não barricadas quaisquer! São autênticas estações alfandegárias do asfalto, onde os automobilistas são recebidos com a hospitalidade típica de um cobrador de dívidas. O objectivo? Combater o flagelo do álcool ao volante, claro! Mas não se enganem, não se trata de identificar condutores em ziguezague, travagens bruscas ou olhos de peixe morto. Isso seria demasiado subjectivo. Aqui, a ciência reina!

A abordagem é meticulosa. O agente, munido de um bafómetro de última geração (ou de última reanimação, porque aqueles aparelhos já viram melhores dias), interpela o condutor com a pergunta de um milhão de kwanzas: “Bebeu?”. Ora, o que responde um cidadão sensato?

– “Não, senhor agente, nem uma gota.”
Resposta errada. Sopre no bafómetro!

Mas e se disser a verdade?
– “Sim, senhor agente, bebi um copo de vinho ao almoço.”
Erro crasso. O bafómetro já não é necessário, porque a confissão basta para abrir caminho à “resolução do problema” ali mesmo, ao lado da viatura, num processo de justiça rápida e altamente lucrativa.

E depois vem a multa, esse tributo espontâneo cujo destino ninguém sabe ao certo. Algures entre os cofres do Estado e os bolsos invisíveis. Um mistério digno de um documentário da National Geographic. Mas, sejamos justos, se o dinheiro dessas multas servisse para melhorar as condições da polícia – dar-lhes fardas decentes, viaturas que não avariam a cada esquina e, quem sabe, até bafometros que realmente funcionem –, talvez houvesse menos contestação. O problema é que, feitas bem as contas, as barreiras continuam as mesmas, os buracos nas estradas multiplicam-se e os agentes seguem com o mesmo ar de quem não sabe se está ali para vigiar ou para facturar.

E enquanto a polícia mantém uma presença civilizada e impecavelmente alinhada no centro da cidade, garantindo que ninguém ouse conduzir depois de um sumo de maracujá mal fermentado, a Tia Maria, lá no bairro, continua a sofrer com os ladrões que lhe roubam as botijas de catembas e caporroscas noite sim, noite também. Mas, claro, isso não merece barricadas. O verdadeiro perigo não está nos assaltantes que vivem da desgraça alheia, mas sim naquele pobre diabo que bebeu um copo e decidiu conduzir sem declarar a própria culpa. Prioridades, meus senhores, prioridades!

E assim segue o automobilista angolano para navegar entre buracos, engarrafamentos e o verdadeiro desafio da estrada: as barricadas do esquadrão do sopro. Que Deus nos proteja… e que o bafómetro esteja sempre avariado!

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