Angola viveu sob signo de “Partido Único” durante catorze anos. A determinação foi dos delegados ao I Congresso do MPLA realizado em Dezembro de 1977 em Luanda. A partir deste marco o MPLA passou a ser Marxista-Leninista e desencadeou-se a seguir o movimento de Rectificação que consistia numa espécie de “prova dos nove” quem no partido era marxista-leninista. Vários camaradas foram corridos do partido.
Na época quem se opusesse ao partido no poder, perdia o emprego e a casa.
Se não se cuidasse, a família e a nacionalidade também. Quem contestasse fosse
o que fosse vindo do partido, era posto de ponta. Proscrito a boa maneira da
Enciclopédia Soviética. Era perseguido e marginalizado. O partido tinha
ascendência sobre o Estado. A saga teve um período de intervalo de 1991 a 2017.
Agora foi resgatada por João Lourenço das catacumbas ideológicas para
tresmalhar Angola do conserto das Nações hodiernas.
O manual de métodos gregários para regressar ao passado e procrastinar o futuro está em prática com sucesso. Ontem estava à-toa na vida. Deu-me um estalo. Decidi coscuvilhar a blogosfera. Encontrei por acaso o trecho do vídeo de uma daquelas entrevistas colectivas que o chefe de Estado concedia no Palácio Presidencial no início do seu consulado com as quais pretendia vangloriar-se inautenticamente como Presidente de todos os angolanos.
O Presidente da República diz, entre outras coisas, o seguinte no referido
vídeo: “Quem é da oposição não tem direito a emprego”. Vi e revi o vídeo bastas
vezes. Queria certificar-me se o vídeo tinha ou não sido manipulado. Minha
conclusão: O vídeo era autêntico. Não tinha sido manipulado. Meu juízo de
valor: A afirmação de João Lourenço é um atentado contra a Segurança do Estado
angolano. Foi uma afirmação fascista e excludente expressa genuinamente.
João Lourenço assumiu-se, com tal afirmação, que é apenas Presidente de
alguns angolanos e confirmou aquilo que o País está careca de saber: Tem perfil
de campeão da exclusão e da destruição do tecido econômico e social do País.
Não tem perfil para Presidente da República e Titular do Poder Executivo! A
enunciação de João Lourenço foi irresponsável e maniqueista. Politicamente
básica e discriminatória. Uma alegação que reprime a democracia e as liberdades
político-económicas do cidadão-eleitor. Que atesta que as contratações são
baseadas na lealdade canino-política ao invés da competência. Que desanima o
cidadão e o empurra obrigatoriamente para a maior e mais conhecida “Agência de
Nacional de Trabalho Temporário” de Angola: O MPLA!
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