A plenĂĄria desta quarta-feira motivou uma troca de galhardetes entre o partido que governa Angola e o maior partido da oposição, com o MPLA a desafiar a UNITA a apresentar "os seus grandes feitos" desde a conquista da IndependĂȘncia Nacional, em 1975, e a UNITA a responder que a IndependĂȘncia "nĂŁo deve ser confundida com os objectivos polĂticos de quem estĂĄ no poder" nem a soberania do povo "com a autoridade do Estado".
O lĂder do Grupo Parlamentar do MPLA, Joaquim AntĂłnio Carlos dos Reis,
durante a declaração polĂtica no Parlamento, afirmou que "seria bom que o
maior partido da oposição, a UNITA, aproveitando este palco (Assembleia
Nacional) ou outro qualquer, também elencasse os seus grandes feitos por
Angola, para que o povo deles tenha conhecimento".
Segundo o partido no poder, apesar dos desafios ainda existentes, o
processo de reconstrução nacional "representa a resiliĂȘncia e o
compromisso em edificar um futuro prĂłspero e sustentĂĄvel, capaz de responder Ă s
aspiraçÔes do povo angolano".
O MPLA lamentou que quando o secretariado do Bureau PolĂtico do MPLA
anunciou a realização do seu 8Âș Congresso ExtraordinĂĄrio, o Grupo Parlamentar
da UNITA, "motivado por fins inconfessos", fez sair um comunicado
"especulativo e falacioso", num "exercĂcio de profecia",
sobre as razÔes da sua convocação e sobre o que ocorreria naquele congresso.
"Naquele comunicado, a UNITA mentiu ao povo angolano, afirmando
existir no seio do MPLA uma crise de liderança e de unidade, apontando essas
como sendo as causas da realização do congresso. AutĂȘntico delĂrio", disse
Joaquim AntĂłnio Carlos dos Reis.
"A linguagem falaciosa da UNITA nĂŁo Ă© nova, Ă© antiga, o que Ă© novo sĂŁo
os seus autores. Os antigos autores foram derrotados pela histĂłria, os novos
autores seguem o mesmo caminho", acrescentou, lembrando que o MPLA
realizou o seu congresso de "forma tranquila" e em ambiente "de
forte coesĂŁo e de unidade em torno do lĂder", JoĂŁo Lourenço.
"Para tristeza dos maledicentes e falaciosos, naquele conclave, pode
ter acontecido tudo, menos o que o Grupo Parlamentar da UNITA profetizou,
especulou e mentiu ao povo, no seu comunicado", frisou o deputado,
salientando que o MPLA saiu do congresso de Dezembro mais forte e unido.
Reagindo Ă posição do MPLA, a UNITA diz que a IndependĂȘncia de Angola
"nĂŁo deve ser confundida com os objectivos polĂticos de quem estĂĄ no
poder" nem a soberania do povo "com a autoridade do Estado".
"Esta distinção assume relevùncia maior quando se fala em preservar a
IndependĂȘncia Nacional. Preservar a independĂȘncia nacional nĂŁo Ă© defender e
muito menos preservar o partido-Estado nem as suas fraudes eleitorais",
disse o lĂder do Grupo Parlamentar da UNITA, Liberty Chiaka.
Chiaka afirmou que Ă© importante assinalarem-se os 50 anos de IndependĂȘncia
de Angola, "porém, mais importante ainda, são os 50 anos que estão por
vir". NJ
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