Nos meus vários discursos, eu tenho pontuado um facto irritante e injusto. Um angolano, por razões de sobrevivência, porque nem toda a gente gosta de morrer, atravessa a fronteira, ele, o pai, o avô vão para o Zaire, mas quando regressa é zairense; quem atravessa a fronteira e vai para a Zâmbia, quando volta é zambia-no; mas quem for para Portugal quando volta é angolano! Isto é irritante, e injusto.
Os angolanos partem para Portugal e regressam, são angolanos; mas também os angolanos partem para o Zaire, regressam, são angolanos; os angolanos atravessam para a Zâmbia, regressam aqui, também são angolanos. Temos um país imenso, temos riquezas, podemos receber toda a nossa população originária daqui sem que isso nos faça algum mal. Pelo con-trário, só nos faz bem e nos dignifica.
Investimentos estrangeiros: precisamos deles. Como é que nós vamos reconstruir a nossa Pátria sem o investimento estrangeiro? Precisamos dele e nós vamos trabalhar para podermos oferecer condições atractivas, mas na defesa do interesse de Angola e nunca vender Angola. Nós temos um país não só muito bonito, e como os outros só agora é que começaram a percorrer a província, não conhecem se Angola é bonita ou não, nunca viram as montanhas. Nós queremos investimento estrangeiro em que o nosso ministro, e neste caso afinal é ministra, vai negociar e vai defender os interesses de Angola. Mas também vamos garantir que aquele que investe para o desenvolvimento de Angola, não é fazer negócio e fugir.
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