Deputado Nelito Ekuikui, que lidera a ala juvenil da UNITA, defende uma revisão constitucional que acabe com a eleição indireta do Presidente e permita candidaturas de listas independentes fora dos partidos políticos.
“Penso que é fundamental que a
eleição do Presidente da República seja feita de forma direta. Permitiria que
surgissem mais figuras fora dos partidos políticos a disputarem o poder”,
defende o antigo secretário da União Nacional para a Independência Total de
Angola (UNITA) em Luanda.
Nelito Ekuikui considera que a eleição direta do Presidente permitiria também o surgimento de plataformas eleitorais para essa eleição.
“A forma como é feita a eleição do Presidente da República, por via de uma
lista partidária, limita o exercício do poder político em Angola. O exercício
do poder político está limitado aos partidos. Significa que para ser Presidente
tem que ser militante de um partido. E nem todos se reveem nos partidos. É fundamental
que se faça essa revisão”, justifica.
Desde que entrou em vigor a nova Constituição angolana, feita à medida do
ex-presidente José Eduardo dos Santos, que não se realizam eleições
presidenciais. O chefe de Estado e o vice-presidente de Angola – cargo criado
na revisão de 2010 -, são os dois primeiros nomes da lista do partido mais
votado no círculo nacional para a eleição do parlamento.
Nelito Ekuikui afirma ainda ser preciso discutir a forma como os deputados
são eleitos.
No que diz respeito à separação de poderes, designadamente a independência
do poder judicial, Nelito Ekuikui salienta que a UNITA “tem feito um processo
pedagógico de educar quem está no Governo no sentido de largar o poder
judicial”.
O Tribunal Constitucional “está claramente amordaçado pelo poder político”.
Nelito Ekuikui defende ainda, em entrevista à Lusa, que a UNITA deve
liderar novas manifestações de rua para mudar um país que diz ainda ser
maioritariamente pobre, analfabeto e esfomeado.
“Num curto espaço de tempo, o partido voltará para as ruas para liderar as
grandes manifestações", antecipa.
Questionado sobre se a passagem para a liderança da ala juvenil, a JURA,
depois de ter sido o responsável máximo da UNITA na província de Luanda,
representou uma despromoção, Nelito Ekuikui responde que não.
“Não considero uma despromoção. Eu considero [a JURA] um espaço onde se
pode estruturar o pensamento e a participação da juventude na política. E sendo
Angola um país jovem, um país jovem, no entanto, em que a juventude tem pouca
participação no centro da decisão. O maior desafio que me é colocado enquanto
líder juvenil é efetivamente o de instruir e permitir que a juventude alcance
os seus objetivos no centro das decisões políticas”, vinca.
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