O ministro da Cultura viaja amanhã para o Huambo, província onde pretende avançar com um projecto semelhante ao do Palácio de Ferro, nas instalações do Centro Cultural Casa Manuel Rui Monteiro
O ministro da Cultura, Filipe Zau, manifestou a necessidade de estender a outras províncias do país a dinâmica da agenda cultural de Luanda, palco da maior parte dos grandes eventos do sector. Filipe Zau revelou esta preocupação no sábado, no Palácio de Ferro, depois de assistir as brilhantes actuações das bandas de jazz provenientes de Cabinda, Benguela e Huíla, no penúltimo dia de actuações da segunda edição do Festival Nacional Angojazz.
" Vim ver este espectáculo e concluí que aqui já está uma matriz feita. Por isso, uma coisa destas é pena só ficar em Luanda, então talvez devemos levar também para as demais províncias”, sustentou Filipe Zau.
O ministro avançou que a dinâmica da agenda cultural é
uma das razões que o levará, amanhã, à província do Huambo, onde se desloca
para cumprir uma agenda de trabalho.
Com o objectivo de imprimir o dinamismo da programação
cultural do Palácio de Ferro no Centro Cultural Manuel Rui Monteiro, erguido no
Huambo, o ministro Filipe Zau será acompanhado por uma delegação composta pelo
director do Palácio de Ferro, João Vigário, o director do Festival Nacional
Angojazz, Dimbo Makiesse, o director do projecto cultural Resiliart Angola,
Marcos Agostinho, representantes da UNESCO e outros parceiros.
"Penso que estas coisas que já estão
produzidas, como o projecto musical Simbiose de Guitarras e outras iniciativas
culturais, que vamos começar a movimentar para outras partes do país. Digamos
que o Palácio de Ferro vai servir como uma incubadora, porque neste momento
está com a programação cheia até ao final do ano”, detalhou Filipe Zau.
Quanto à qualidade musical, Filipe Zau revelou-se
surpreendido pela excelente exibição dos músicos na actuação de sábado, tendo
sublinhado a necessidade de implementação dos ritmos nacionais na linguagem
musical do jazz.
"Fui surpreendido com estes excelentes músicos
não residentes em Luanda e é uma sensação extremamente agradável. Penso que
isso é muito bom para a música e o entendimento que as pessoas possam ter da
música que se faz no país e também da importância de se ter uma visão mais
aberta das coisas”, observou o ministro.
De músico para músicos
O emblemático músico Filipe Mukenga foi uma das
personalidades que prestigiou o concerto na noite de sábado. No final do
espectáculo, Filipe Mukenga subiu ao palco e endereçou palavras de
encorajamento a todos os artistas envolvidos na segunda edição do festival.
"Foi uma sensação extremamente agradável,
surpreendente. Eu não poderia de maneira nenhuma imaginar que há muitos jovens
dedicados à música clássica e ao jazz. Portanto, começa a haver uma
diversificação”, destacou o músico.
Filipe Mukenga falou da universalidade do jazz e da
importância de se criar um jazz com uma identidade própria no país, tendo
observado a ousadia musical dos executantes.
"Tocaram alguns temas internacionais que nós já ouvimos e juntaram outros temas angolanos, transformados ao estilo de cada um, e penso que isso é muito bom para a música”, explicou.
Com mais de 50 anos de carreira, o compositor e cantor teceu elogios às bandas Sons de Mayombe, oriunda de Cabinda, e Sul Jazz, proveniente de Benguela, bem como a cantora Angie Napende, proveniente da Huíla.
"Quando estiver com os vossos governadores
perguntarei onde vocês andam, porque é importante conhecer os locais onde se
exibem. Foi muito bom o que se viu aqui”, prometeu Filipe Mukenga.
A segunda edição do Festival Angojazz iniciou na
terça-feira e encerrou ontem, tendo sido realizada nos espaços Palácio de
Ferro, Instituto Guimarães Rosa e Fundação Arte e Cultura. Participaram a banda
Angojazz, mentora do projecto, que levou como propostas nacionais Jazzversando,
The Groove, na interpretação de Dimuka Gourgel, Aylasa Tchipilica, Kaddesh,
Angie Napende, Cassilva Band, Ipolite Anderson de Cabinda, Sul Jazz de
Benguela, Tuapandula Singers, Sofia Grácio e GM Jazz Band. A americana Aisia
Casanova e os franceses Jean Renan e Amandine Jazz foram os estrangeiros
presentes.
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