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Além das Limitações: Relacionamentos Autênticos

 No universo complexo dos relacionamentos amorosos, o envolvimento de pessoas com deficiência desafia estereótipos e exige uma compreensão mais profunda.

Neste texto, que intitulo, "Além das Limitações: Relacionamentos Autênticos" procuro abordar sobre a dinâmica de um amor verdadeiro entre uma pessoa com deficiência e outra sem, desmistificando a noção de que a primeira é coitada, beneficiária de misericórdia, ou a outra faz algum favor.

Na verdade, não! Neste texto, escrito há já mais de um(1) ano e andou perdido num caderno que reencontrei hoje(foi manuscrito), destaco a individualidade da pessoa com deficiência e rejeito a ideia depreciativa, segundo a qual o seu valor está vinculado à compaixão ou ao senso de caridade.

Enfatizo ainda a autonomia e a capacidade plena de amar e ser amada ou amado, não como um favor, mas como um encontro genuíno entre dois seres humanos.

É capacitista e estúpida a crença de que a pessoa com deficiência deve aceitar qualquer comportamento da outra sem, por se tratar de um privilégio estar num relacionamento assim, ou a noção de que ser alvo de preconceitos ou comportamentos discriminatórios é aceitável, porque pelo menos tem uma parceira ou um parceiro sem deficiência. O relacionamento amoroso, assim como qualquer outro, é uma parceria de igualdade, onde nenhum dos parceiros é inferior ou superior com base em habilidades físicas.

Pelo menos eu penso que, ninguém me presta ajuda absolutamente nenhuma por manter comigo qualquer que seja o relacionamento, de amizade, vizinhança, familiarismo, amoroso, ou sei lá. Às vezes até é o contrário, mas isso não tem qualquer relevância para mim.

As pessoas valem por serem pessoas. A pessoa com deficiência não deve ser pressionada a seguir padrões predefinidos de comportamentos, nem a buscar constantemente a aprovação do parceiro, só porque...

É importante, e de todo necessário, reconhecer e respeitar a individualidade de cada pessoa, independentemente da presença ou ausência de deficiência.

Se não pensa assim, seja mulher ou homem, dê meia volta, vire-se para outra direcção e "arranje" outra pessoa. Não fique com esta, esperando submissão, ser agradada(o), como outra pessoa não faria, ou ser visto(a) como uma divindade salvadora de alguma coisa.

Não és! És uma pessoa, e só isso, que deve amar e respeitar, como precisa de ser amada e respeitada. Não está obrigada ou obrigado a nada. Relacionamento não é filantropia, não deve ser uma oportunidade para fazer caridade e ser recompensada(o), ou proteger-se de possíveis cornos. Não mesmo!

A tendência equivocada de alguns parceiros e algumas parceiras tentarem transformar a pessoa com deficiência em alguém a ser explorada e/ou num(a) mendigo(a) de atenção ou amor, deve ser rejeitado por todas e todos nós, e devemos promover a ideia de que o amor verdadeiro é construído sobre a base do respeito mútuo e da aceitação autêntica.

Não aceitemos o fingimento explorador, pois ele resulta do preconceito, segundo o qual as pessoas com deficiência são inferiores, por isso é um favor relacionar-se com ela.

Em última análise, neste texto, "Além das Limitações: Relacionamentos Autênticos", busco desconstruir estigmas, celebrar a diversidade e inspirar uma visão mais respeitosa dos relacionamentos amorosos.

Destaco que a verdadeira essência de um relacionamento reside na compreensão, aceitação e apoio mútuo, independentemente da presença ou ausência de deficiência. Qualquer pessoa com deficiência, em função do seu caráter e de outras qualidades, pode ser o melhor ou o pior parceiro, a melhor ou a pior parceira, do mundo. Isso não é nada que dependa de questões estéticas.

 O mundo está cheia de pessoas que se deixaram levar pelos seus preconceitos e/ou de outras e estão amargamente arrependidas.

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