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Kissinger, o mestre da "reapolitik" - Venceslau Valente Mário

Dr. Henry Alfred Kissinger, através do seu realismo e pragmatismo redesenhou o novo paradigma do sistema internacional e posteriormente os seus feitos causaram impactos direito na definição da nova ordem mundial depois da 2• Guerra Mundial, sem esquecermos de mencionar a sua grande capacidade e agilidade em quebrar protocolos / barreiras entre as administrações republicanas e democratas, porque embora já reformado, as mesmas administrações o consultavam continuamente, devido a sua vasta experiência e vivência no xadrez da geopolítica global.

Kissinger, no mundo da política internacional é popularmente conhecido como o homem da "Realpolitik, quando os princípios morais e éticos não dão lugar as soluções práticas, um tipo de diplomacia que foca em alcançar objetivos práticos em vez de promover ideais”. Assim sendo, alguns académicos, pesquisadores e jornalistas o criticavam continuamente, por conta da sua “realpolitik”. Mas para muitos Estadistas, o classificavam como um génio, possuidor de uma inteligência abismal, detentor de um raciocínio lógico e sempre bem humorado. Apesar dos seus inúmeros erros, o Kissinger, é considerado como um dos melhores estrategas na arena internacional, e obviamente considerado o Maior Diplomata do século passado XX. Vale lembrar que Kissinger, conheceu, lidou e sentou-se em várias mesas de negociações com alguns líderes bastantes influentes de sua época, nomeadamente, Franco, Mao Zedung, Deng Xiaoping e Prémio Nobel da Paz Le Duc Tho em 1973, no mesmo ano que o Kissinger.

O Ex Secretário de Estado Estadunidense, ousadamente sempre defendeu os interesses da sua pátria, colocando em prática as alianças, as influências regionais e global na política externa norte americana. Também soube habilmente aplicar a persuasão nas negociações, a agilidade e o raciocínio lógico que a diplomacia exige. Portanto, o fez sempre com os objetivos de atingir sucessivamente a agenda Norte Americana no contexto internacional no derradeiro período da Guerra Fria, e naquela altura os EUA, centrava-se principalmente demostrar aos seus aliados e aos outros Estados que a política norte americana traria mais benefícios e desenvolvimento ao mundo, do que o Socialismo Soviético da URSS.

A política externa de Kissinger para Angola

Após a independência em 1975, o MPLA do Presidente Neto, firmou alianças com União Soviética e Cubas, instaurando assim o sistema comunista em Angola. Portanto, nos primeiros anos a Administração Kissinger, demostrava aprecio e simpátia pela FNLA do Nacionalista Holder Roberto, mas posteriormente considerou a UNITA de Jonas Savimbi, o aliado na luta anti-comunista em Angola e essas relações foram muitos complexas, por conta da dinâmica da Guerra Fria e do seu pragmatismo. Mas também o Kissinger, demostrava abertura para dialogar com o Presidente Neto, para que juntamente encontrassem uma solução pacífica em relação ao contexto bélico que instaurou-se em Angola. Vejamos que num documento secreto / telegrama que mais tarde foi publicado pelo Departamento de Estados dos Estados Unidos, demostrava a vontade de negociar com o governo do Presidente Neto.

No dia 13 de setembro de 1976, Kissinger, respondeu uma das carta de Agostinho Neto afirmando o seguinte: os EUA valorizam o desejo do Presidente Neto de melhorar as relações. Buscamos uma Angola independente e estável e expressamos preocupações sobre a presença militar estrangeira que dificulta a paz. Esclarecemos nosso não envolvimento no apoio aos dissidentes e esperamos a entrada de Angola na ONU, considerando a retirada das forças cubanas. Agradecemos as indicações recentes sobre as atividades das forças cubanas estarem confinadas a Angola. Uma política de não intervenção nos territórios vizinhos se alinha com nosso objetivo de uma transição pacífica na África Austral. Congratulamo-nos com os pontos de vista do presidente Neto para um engajamento construtivo e estamos ansiosos por relações amigáveis.
Telegrama do Secretário de Estado Kissinger.

Nas suas relíquias bibliográficas: Diplomacia, Ordem Mundial, Sobre a China, etc, Kissinger, narrou na primeira pessoa os bastidores da política internacional, fez apelos e aconselhou a geração de novos líderes, alertou / previu ascensão da China como uma superpotência regional e mundial.

Em 9 de outubro do ano em curso 2023, o Kissinger, concedeu a sua última entrevista ao renomado CEO da Axel Springer, Mathias Döpfner. Kissinger, confessou que jamais pensou que viveria até aos 100 anos. Infelizmente, na passada quinta-feira, 29 de novembro do ano em curso, Henry Alfred KISSINGER Ex Professor da Universidade de Harvard, Conselheiro de Segurança e Secretário de Estados / Chefe da Diplomacia dos EUA, nas administrações Richard Nixon e Gerald Ford, deixou o mundo aos 100 anos de idade. Kissinger, nasceu na antiga Alemanha em Fürth, aos 27 de maio de 1923, mais tarde aos 15 de idade, isto em 1938, com os seus pais refugiu-se nos EUA, por imperativos da política anti-semita conduzida pelo então líder nazista Aldolf Hitler.

Em relação a História, Dr. Kissinger, inúmeras vezes reconheceu a extrema importância que a História pode jogar um papel crucial na construção e definição das sociedadesmodernas.

No seu livro (Ordem Mundial), realçou na primeira pessoa que: há muito tempo, quando jovem, tive a ousadia de julgar-me ser capaz de falar sobre o “Sentido da História”. Agora, sei que isto é algo a ser descoberto, não declarado. Uma questão que devemos tentar esclarecer segundo as nossas possibilidades, sabendo de facto que a solução ficará indecisa, mas aberta ao debate público; que cada geração será julgada de acordo / forma como abordou os aspectos mais elevados da condição humana, e que os Estadistas devem tomar decisões sobre essa abordagem diante de todos.

O adolescente Kissinger que aos 15 anos de idade, imigroupara os EUA, viveu o seu (American Dream) com muita intensidade e maestria. Portanto, sem sombras de dúvidas, o Ex Secretário de Estado Estadunidense, escreveu o seu nome na História da política internacional e lá permanecerá que ele mesmo ajudou a escrever.

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