Há sessenta e quatro anos cantando no Brasil e em tantos outros paises, Roberto Carlos gravou em todo esse tempo três canções que fazem alguma menção aos palcos por onde esteve. A primeira e mais famosa, e a que utiliza pra abrir seus shows desde 1981, ano de lançamento, foi composta por ele e Erasmo recebendo o título de "Emoções".
Emoções traduz o sentimento do artista quando está nos palcos, não importando pra ele se chorou ou se sorriu, pois a recompensa está ali, vivendo junto aos fãs, aquele momento lindo.
Em 1990, gravou, de Paulo Sérgio Valle e Eduardo Lages (seu
maestro), a canção Cenário, que compara as mudanças do cenário da vida com as
do palco. A letra compara a vida do artista com a de um palco de teatro onde se
sorri e se chora, mas sempre em busca de um final feliz. Diz ainda, que muitas
vezes o artista esconde por traz da maquiagem, o sofrimento que tenta disfarçar
para poder continuar, mas ela não muda o personagem, e a ele então, pra ser
feliz só lhe resta pedir bis.
Na mais recente gravação, lançada ontem, 23/11/2023, de sua autoria, "Eu ofereço flores", tem um apelo bem diferente das duas anteriores. Ele se comunica com os fãs de uma forma melancólica, dizendo que "você me viu chorar e você me fez sorrir", "e às vezes que eu sofri você estava aqui", como se, mais do que agradecer pelas décadas de convivência, sua voz estivesse transmitindo quase um pedido de desculpas, por só estar oferecendo flores, "por tudo isso então, eu ofereço flores", diz a letra.
Com letra simples, mas de um sentimento profundo, como um soluço de um choro guardado até onde o coração resiste, "Eu ofereço flores" é muito mais que uma canção. É o resumo maior que se pode ter de um artista que não tem nada a dever aos seus fãs, um artista que sempre entregou mais do que dele era esperado, mesmo sendo muito o esperado. Por isso, com seu perfeccionismo nato foi merecedor de todo o carinho que até hoje recebeu. Oferecer flores cantando dessa forma, com um misto de melancolia e maviosidade, mostra que as flores são apenas um símbolo material a testemunhar o que a ciência chamaria de simbiótica relação público/cantor que só pode ser explicada por quem sente a emoção de estar no cenário desse palco.

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