O avançado angolano
Gelson Dala, um dos jogadores no activo para aplaudido pelos adeptos dos
Palancas Negras, falando em entrevista ao site Mais Futebol, realçou o papel
que o "irmão" Elísio teve na sua entrada no futebol, bem como as
condições sociais na época.
"Foi o Elísio, o meu irmão. Eu tinha 12 anos, era um dos
ídolos do bairro e os vizinhos convenceram os meus pais a deixar-me ir.
O Elísio levou-me lá em… 2010, acho. O problema é que a minha
família não tinha dinheiro para tratar dos documentos necessários, das
burocracias para eu poder ser inscrito.
Desisti de jogar lá e voltei ao meu bairro. Somos uma família
pobre, humilde e não conseguimos resolver isso. Eu já estava a treinar nos
juvenis, o treinador gostava de mim, mas eu não tinha documentos e tive de
desistir.
Só dois anos mais tarde é que o meu irmão Elísio, que já
tinha outras condições económicas, conseguiu ajudar-me a tratar disso.Em Angola é muito difícil também resolver este tipo de
questões, é sempre complicado, principalmente para alguém que vivia no Bairro
do Golfe, como eu, um dos bairros mais perigosos de Luanda, mas também tinha
coisas boas. Foi de lá que saíram os maiores talentos de Angola (risos). Mas
não era fácil, havia muitos bandidos. Para eu conseguir ir treinar em
segurança, a minha mãe tinha de chamar um táxi e acordar-me antes das seis da
manhã. Era a altura mais calma do dia lá no bairro.Eu passei diretamente dos juvenis para a equipa profissional,
teria para aí 17 anos.
Nessa altura o 1º de Agosto mudou-me para um apartamento
no centro de Luanda.
Antes disso eu tinha até de faltar a treinos. Era duro. Às vezes
saía de casa e via gente morta à minha porta. E ia para trás, claro. Eles [os
bandidos] podiam matar mais alguém e eu não arriscava, já não saía de
casa."
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