Os preços do petróleo permaneceram quase inalterados, terça-feira, depois de ligeiras perdas, na segunda-feira, quando caíram para mínimos de três semanas, sob influência do fortalecimento do dólar, perspectivas macroeconómica globais sombrias e sinais mistos da oferta.
Os preços futuros do Brent (de referência para as vendas angolanas) subiam seis cêntimos, para 90,77 dólares por barril, quase no fim da jornada, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI, de referência dos Estados Unidos), ascendia 34 cêntimos, para 89,16 dólares por barril, embora, no início da sessão tivesse caído mais de 1,00 por cento."Os preços do petróleo Brent caíram para cerca de
90 dólares por barril, com o aumento dos rendimentos nos Estados Unidos e um
dólar mais forte a dominar o sentimento do mercado”, disseram analistas da ANZ.
"Embora a oferta permaneça restrita, taxas de
juro mais altas significam armazenamento caro de stocks. Isso pode levar a uma
maior redução de stocks de petróleo, ao mesmo tempo que aumenta a
disponibilidade à vista”, acrescentaram.
O dólar subiu, na segunda-feira, para máximos de 10
meses em relação a um cabaz de divisas internacionais, depois de o Governo dos
Estados Unidos ter evitado uma paralisação parcial e os dados económicos
alimentaram expectativas de que a Reserva Federal vai manter as
taxas de juro altas por mais tempo, ou até mesmo as volte a aumentar.
Taxas de juro elevadas e um dólar forte tornam o
petróleo mais caro para os detentores de outras moedas, o que pode abrandar a
procura do petróleo.
As negociações para reiniciar as exportações de
petróleo iraquiano através de um oleoduto que atravessa a Turquia ainda estão
em andamento, disse uma autoridade petrolífera iraquiana à Reuters, ontem, um
dia depois de a Turquia ter dito que as operações recomeçariam esta semana,
depois de uma paralisação de quase seis meses.
"Em teoria, nos termos do acordo da OPEP+, a
produção (fora do Conselho de Cooperação do Golfo) deverá permanecer estável
durante o quarto trimestre. No entanto, o cumprimento pelo Iraque foi algo
irregular no passado e os níveis de exportação devem aumentar, assumindo que o
gasoduto vai ser retomado conforme o planeado”, disseram analistas da BMI
Research.
O Iraque (segundo maior produtor da OPEP) também
disse, ontem, que vai adjudicar 30 novos projectos de petróleo e gás
na quinta e sexta rondas de licitações do país.
Espera-se que a Organização dos Países Exportadores de
Petróleo e aliados (OPEP+), mantenha a política de produção inalterada na
reunião de hoje, mantendo a oferta restrita.
Espera-se um momento de realização de lucros, hoje,
antes da reunião da OPEP+, depois da forte recuperação desde meados de Agosto,
ou talvez os receios económicos estejam a pesar, disse Craig Erlam, analista da
OANDA.
"A questão agora é se a recente mudança no
apetite ao risco influenciará o resultado da reunião”, acrescentou.

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