Incentivos que incluem mexidas na pauta aduaneira figuram num pacote para travar o aumento dos preços anunciado, terça-feira, em Luanda, pelo ministro da Indústria e Comércio numa reunião com produtores e distribuidores da fuba de milho, farinha de trigo, açúcar e óleo alimentar, segundo informações obtidas pela nossa reportagem no local.
O director-geral da Indústria de Óleos Vegetais (Induve), Kidy Aragão, revelou à imprensa, sem avançar mais pormenores, que Rui Miguêns declarou, na reunião realizada à porta fechada, estar aprovado um pacote de incentivos para apoiar a produção nacional.
"Falou-se em alguns incentivos que foram aprovados e um deles tem a ver com uma mexida na pauta aduaneira para dar maior conforto à produção nacional”, disse o director-geral da Induve .A reunião, que se prolongou por duas horas, foi
dominada pela variação de preços que tem vindo a verificar-se no país,
inserindo-se nos encontros que o Ministério da Indústria e Comércio estão a
manter com as associações empresariais, como parte da preocupação do Governo em
manter um contacto permanente com os empresários, de acordo com as explicações
fornecidas aos jornalistas.
O encontro contou também com as
participações do ministro da Economia e Planeamento, Mário Caetano
João, e dos secretários de Estado para a Indústria, para o Comércio e
para Agricultura, respectivamente, Ivan do Prado, Amadeu Nunes e
João da Cunha, numa evidência da importância atribuída pelo Governo à questão
dos preços.
Numa breve declaração, o ministro da Indústria e
Comércio atribuiu parcialmente o aumento dos preços às variações que ocorrem no
mercado internacional, num país como Angola, onde uma parte considerável dos
bens de consumo é de origem importada, incluindo a matéria-prima incorporada no
produto "Feitos em Angola”.
Rui Miguêns apontou como saída mais sustentável para a
manutenção da estabilidade dos preços a garantia da continuidade da produção e
a substituição paulatina de toda a matéria-prima que ainda é importada,
reduzindo a exposição ao mercado internacional. "Com isso, também seremos
capazes de reduzir a volatilidade dos preços”, disse.
Nas pistas que forneceu sobre a política do Executivo
nesse domínio, indicou que "o incentivo à produção passa por só permitir
as importações daqueles bens que não somos capazes de produzir ou cuja produção
ainda é insuficiente para as nossas necessidades”.
O Governo insistiu, está a procurar acautelar que a continuidade da produção garanta que os preços se mantenham-se estáveis. "Não vamos poder fazê-los no curto prazo: isso exige trabalho e exige que todos nos esforcemos neste sentido, mas o caminho está identificado”, declarou o governante.
Empresas consideram promissora a reunião
No fim da reunião, o director-geral da Induve considerou o encontro como
positivo para as expectativas dos industrias, do ponto de vista da percepção
dos objectivos do Executivo em relação à substituição das importações.
"Isso é muito promissor e olharmos para alguns
produtos importantes como a farinha de trigo e o óleo vegetal, temos de ter em
consideração que já temos produção nacional”, disse Kidy Aragão, considerando
que, ao falar-se de preços, se deve ser realista, no que concorda com as
declarações do ministro da Indústria e Comércio a descartar o curto prazo para
a solução do problema dos preços.
"Para falar da baixa de preços neste momento,
temos de ser realistas. A farinha de trigo, por exemplo, é muito dependente de
matéria-prima que ainda é importada, e toda a variação do preço da farinha de
trigo tem muito a ver com o mercado internacional”, disse.
Segundo o director-geral, a oferta é muito superior à
procura: "estamos a falar em termos de farinha de trigo de 1,3 milhão de
toneladas de produção anual, enquanto a procura anual anda em torno de 700 mil
toneladas métricas”, afirmou.
"Vamos entrar para a SADC, temos que
estar preparados para concorrer. O desafio da indústria é tornar a produção
eficiente por forma a conseguirmos preços ajustados para o mercado local, mas
também para as exportações”, disse.


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